sexta-feira, novembro 09, 2007

Nas leis da vida

As palavras querem calar
fruto da estagnação
é o entre-tempo
de um ante-mundo

Vencer a barreira da inércia
Requer uma força , um impulso
nada muito leve
o bastante pra realizar trabalho
Se for pra ser constante
que seja retilíneo uniforme
Movimento acelerado
é muito menos provável
só nas relações que é ao contrário

Criar nesse tempo de vácuo
não se encontra resistência
Mas pra vencer na realidade relativa competitiva
vais encontrar muito atrito
Normal

* * *

E para a atração dos corpos
força incontrolável e inevitável
que as ondas de som dessas palavras
se propaguem até seu ouvido
provocando uma mistura nos líquidos
que compõe o seu ser
resultando num corpo exotérmico
quente, na temperatura que já registrei

Eu quero choque
sentir seu calor latente
serei o catalisador
pra partir esse átomo
que sisma nos separar
e toda essa energia emanar.

domingo, outubro 28, 2007

Visita a estrangeiros

Eu tinha um horário marcado para a visita. Dez e trinta e cinco da manhã. Um horário estranho e intransferível. Ainda assim, com o pedido expresso de que eu chegasse com antecedência. Então acordei cedo, fiz alguns exercícios para a postura e pra barriga que não vão lá muito bem. Não vão bem desde uma aula experimental de Pilates. Descobri que respirava e andava errado. E eu ia tão bem até então... A professora era cheirosa e não tirava os olhos de mim, mesmo que fosse para dizer apenas "Está respirando errado". Mesmo assim , nunca voltei lá. O preço era uma baba.

Depois dos exercícios que aprendi em apenas uma aula, abri a porta do meu quarto para o café da manhã. Como já era de se esperar, minha mãe estava mais ansiosa do que eu. Me alertava para não perder a hora. Mais um dos instintos, do tipo: "Não vai botar o casaco?" Mães.

Tomei um bom banho. Saindo do chuveiro, fiquei em frente ao espelho. Lembrei-me das instruções para a visita. 1. Procure estar de barba feita. 2. Camisa social é uma boa pedida. 3. Use roupas claras. 4. Vá de cabelo cortado. 5. Vá de cuecas e meias limpas. ( só faltava) 6. Seja Cordial. Puta controle. Lembrei-me de um clipe do Eminem, em que uma máquina faz um bando de garoto com a roupa e o cabelo do Eminem. Padronizado. Então resolvi. A barba eu não vou fazer. E a camisa social vai ser a que eu achar melhor. Evitei a de tecido cru. Ficou igual a uma bata árabe. Também não preciso apelar.

O consulado americano é um órgão público, como todo consulado. E, como todo órgão público, tem suas regras. Fila do lado de fora. Alguém chega para conferir se está com todos os documentos a mão. Caso lhe falte a foto 5x5, tem um camelô-fotógrafo preparado para o serviço. É claro, com preços acima do mercado. Isto é um fato a se analisar. Tendo oportunidade, sempre tem alguém para lucrar. Tem o cara que vende a taxa do banco americano, caso alguém não tenha. Tem o que vende o formulário impresso em branco, e outro que preenche. Tem um que corre certo risco, e é odiado quando desmascarado. Encara a fúria do povo. O vendedor de lugar na fila. O maior filho da puta da praça. Todos eles convivem bem. Uma companhia de atendimento aos esquecidos , distraídos e apressados do consulado. Um camelô guarda sua mala ou seu celular do lado de fora. Não é permitida a entrada com estes. Faltou um armário escaninho com senha. Sugerirei, caso alí volte.

Pergunta: Por que não se pode entrar no consulado com telefone celular? Para não pagar interurbano em território estrangeiro? Como são bons ! Fato comum a àqueles que são tão amados.

Depois da segunda fila de espera do lado de fora, passamos por um detector de metais. As bolsas e mochilas passam por um raio-x. No caminho para a próxima sala abro uma porta. Que porta pesada camarada! Incrível. Um palmo de espessura. Eu que não queria ser porteiro dalí.

Chegamos então a uma sala oval, com um corredor central . Dois balcões, um de cada lado do corredor. Um para receber seus documentos, checar se esta tudo certo ( de novo). O outro com uma placa: "Correiro Expresso". E não bastasse aquela companhia toda especializada ao lado de fora , ainda tem alguém lucrando do lado de dentro. Além dos dois balcões, muitas cadeiras. Bancos enfileirados, como sala de espera de grandes clínicas médicas. Cabiam umas duzentas pessoas ali. As paredes com acabamento em madeira com ondulações na vertical. Assim como uns blocos verticais finos, que alinhados davam uma sensação de onda, localizados numa parte da parede próxima ao teto. Decoração que gera certo conforto para um ambiente que é idêntico a um cofre forte de um banco. Aposto que tinham câmeras e microfones.
Também havia duas placas eletrônicas de senha. Uma para seguir para a gravação das impressões digitais. A outra eu não entendi para que servia. O fato é que as senhas não eram chamadas em ordem, obrigando você a ficar ligado na senha. E se não fica, nenhum dos americanos nos guichés se importa caso ninguém apareça para ser atendido.

As pessoas dispostas nesse salão pareciam artificiais. Poucos conseguem relaxar. Tinha um cabeludo, tipo roqueiro adolescente, que parecia ter feito a barba pela primeira vez. Amarrou o cabelo numa trança gigante para ficar mais apresentável. Mas não ter nada pra fazer naquele ambiente torna tudo mais tedioso. Momento pra pensar na vida. Invejei com força uma senhora ao meu lado que se entretinha com uma palavra cruzada. Ela percebeu que eu olhava pra sua revista. Riu nervosa pra mim. Estava convicta que seu pai, uma simpática cabeça branca ao seu lado, nunca conseguiria tirar o visto. "Sabe qual é o nome dele? Khalid al-Nassaj." Seu pai ria e me dizia: "e eu nem simpatizo com a Alcaida.Hihihi" Por um longo período segui invejando a palavra cruzada.

O clima do ambiente não permitia muita interação com as pessoas. O cara do balcão levantou a voz e o silêncio completo se fez: Flávia Costa Miranda. Flávia-Costa-Miranda. O clima de "se fudeu" se instaurou no olhos de todos. Levanta uma menina de no máximo 12 anos. Desfila pelo corredor central. " Óh, o que será que ela fez? Coitadinha. Não vai poder ir pra Disney com a família?" todos os olhos diziam. Foi só uma chamada... ela tirou os olhos do placar. Seu número já estava lá há uns cinco minutos.
De repente ((PÁ!)). Um estalo retomou o silêncio absoluto do cofre, Olhos medrosos corriam todos na mesma direção. Todos contaminados com o doente medo americano de atentado iminente em qualquer lugar. Doença parente do medo carioca de bala perdida. Eu não tenho medo de bala perdida. Me preocupa mais as balas com endereço certo. Mas também idiota de ficar parado em tiroteio. O PÁ foi a pasta de um pai com bebê de colo nos braços. Parece que o bebê jogou a pasta do papai no chão. Parece que o papai ficou com cara de pato( bico pra baixo e olho chapado). O bebê, que maravilha, a quem toda a neurose sócio-política-xenofóbica-comportamental ainda não foi assimilada, continua rindo.

Chegou meu número. 181. Minha vez de desfilar pela passarela do corredor central. Guichê 8. Primeiro americano com quem falo. Como sei? Motivos óbvios. Uma carona branca avermelhada, de quem o corpo não suporta o clima nem sob ar condicionado. Um sotaque carregado de quem tem um ovo na boca. Um olhar reprovador constante. Um vidro de 5 camadas entre nós. Americano. Dedo indicador esquerdo no aparelhinho de capturar digitais. Dedo direito. "Cóm fórrça!". Deve ter dado problema na leitura do aparelho, já que meu indicador direito é meio defeituoso, graças a um corte que quase decepa sua ponta, quando eu tinha uns dez anos. Famoso dedo zunha. Minha vontade na hora foi de enfiar o dedo na maquininha e arrebentar aquele bagulho com a pressão. Mas eles ainda tinha algo que eu queria, e também não sei se teria força pra isso.

O americano me perguntou de surpresa. "Know english?". Gaguejo. Yes , yes... well. Fui encaminhado para mais uma sala de espera. Mais uma sala, mais uma placa eletrônica chamando fora de ordem. Certamente, mais uma vez, câmeras e microfones.

Dessa vez 7 cabines. Três para um lado, três para o outro. No meio a porta 4. As outras seis são pequenas cabines, que conseguimos ver as entrevistas do banco de espera. Brasileiros - 5 camadas de vidro - americanos. Mas a porta 4 era diferente. Uma porta que dava para um corredor de paredes de camurça. Ninguém daquela leva foi chamado pra lá. O que haveria lá? Uma sala com uma banca de examinadores sentados num palco alto, voltados para uma única cadeira no centro da sala? Sala para casos especiais, como aqueles que assinalaram um "X" na opção do formulário " Tenho conhecimentos de física nuclear" ? ( sim, há essa opção no formulário, perto da opção " tenho prazer/ admiração pelo uso/manuseio de armas de fogo). A sala 4 poderia ser só uma fachada, para mexer com a imaginação. Podia acabar no corredor. Mas eles não teriam um senso de humor desses. Só sei que na hora da espera eu sabia. Se piscasse "181 - guichê 4" eu levantava e me despedia. "Desisto". Tocou para o 6.

Três ou quatro perguntas idiotas em inglês. Pague aqui, volta aqui, pague lá e good luck in Unites States.

Pior que americano escroto é brasileiro que pega o jeito de americano escroto. A última atendente, funcionária da empresa de Entrega Expressa que envia o passaporte com visto. Jeito arrogante que não combina. Infectada.

Saí empurrando as pesadas portas. Agora não tem mais jeito. Estarei lá. Caminhando pela área calma do Centro do Rio, resolvo comer um salgado. O baixinho do balcão paquera todo solícito a secretária que vai sempre ali. Ela esquece o seu caderno. Ele abandona o posto para entregá-la. Vou sentir falta disso aqui.

terça-feira, outubro 02, 2007

o que se diz daquilo que não diz nada.

Oi
então,
pois é,
essa aqui
não é

Pois é,
essa aqui
não é
Oi
então

Então,
oi,
não é
essa aqui?
Pois é

Essa aqui
Pois é
Então
oi
não é?

Não é!
Pois é
essa aqui
Então
oi.

segunda-feira, outubro 01, 2007

Daqui pra lá

Enquanto eu finjo ter paciência
chega um momento
que tudo parece não ter jeito
e quase desisto de ser eu mesmo
Momentos que percebo
que não sou tão forte quanto penso

Um impulso inconsciente
me impulsiona logo ali
de onde acabei de sair
pra ver que no mundo
ainda tem mais gente

Então não me perco mais entre os inocentes
não carregarei o fardo dos carentes
certo e errado não é gesso
simplesmente sendo
How does it fill?
Concreto e atraente

domingo, setembro 30, 2007

Da Voluntários pra cá

Caminhando e refletindo
Já que as horas não combinam
com o tempo do banho
com o tempo do ônibus

Me resta caminhar
noite de domingo
e se os passos são pensamentos
caminhar é refletir os momentos

preciso trabalhar,
mas sem paciência não vai dá
preciso encontrar meu amor
mas sem ver não sinto seu odor
preciso dizer o que sinto
mas sem coragem eu minto
preciso decidir se vale a pena
porque sem retorno não tem rima

E quando todos os detalhes são observados
qualquer falha é imperdoável
e eu que ando desligado
to ferrado.

sábado, setembro 29, 2007

Oinrrc

El facto és
nosso mundo é sujo
o lado de lá cheira muito bem
os floreios existem
superficialmente
mas na terra molhada
se faz lama
e o mundo chafurna

o grande teatro burguês
continua em cartaz
talvez sempre estará

numa crise de identidade
me comportei como pó de arroz
mas esses olhos vêem além
e a postura almofada
não é da minha natureza

A raça renasce
o sangue cada vez mais pulsante
vivo e desejo aventura
verei novos chiqueiros
chafurnemos

sábado, setembro 22, 2007

Romantico Chão

A terra sabe o meu valor
o ar me convida pra voar
meu fogo queima mais forte
e eu sei direcionar

Sou aquele querendo falar
vim ao mundo aprender a me comunicar
Amar eu nasci sabendo
me relacionar são outros quinhentos

eu te quis mais que tudo
eu vivi as dores do mundo
porque algo dentro de mim
sempre disse
sempre rufou
sempre apertou
no fim das contas
apesar dos pesares
mesmo que ela não saiba
é ela

Como saber, se na maior parte do tempo
ali nem eu era eu mesmo
Talvez por saber que aquilo que odeio nela
é o que ela também não é

E se nessa vida nasci pra encontra-la
encontrei, assim serei
pra sempre com essa marca
vou conviver com o impossível

Aguá, matéria de transporte
logo hoje é que chove
leva essa energia que me move
passando esse amor incólume.

quinta-feira, setembro 13, 2007

A hora e a vez

Pedi tua ajuda na hora que mais precisei
você não me deu atenção
me deu desprrezo
não teve a decência do não

Mas sobrevivi sozinho
e com ajuda do meu pai
hoje sou forte
sou rocha que aponta pro norte

Olhos do bem
com muita maldade
revejo o mundo da verdade
e já enxergo que tu não prestas
És farsa, és pirraça
a sensibilidade imitada
o descritério conveniente
a personagem da vez
a escolha covarde

Assim, não me serves

sábado, setembro 01, 2007

De quem sabe

No passar do tempo
as horas fogem,
porque as horas são o tempo,
levando para o infinito
o que trazem,
no seu fugir.
Fogem para o infinito,
e os dias sucedem
sem mais voltar.
Por que as horas fogem
e os dias que se sucedem
são o tempo,
e o tempo é o infinito.

São as vezes, horas
no seu fugir
doces elevos,
devaneios ternos,
talvez quimeras,
amor do coração brotando.
Vezes outras no seu fugir,
deixando-nos angústias,
dores, sofrimentos
tristezas que o coraçãoconfrange,
que elas, as horas,
indifrentes, distribuem
à humanidade.
E fogem, fogem sempre
sem nunca parar
Os dias sucedem aos dias,
trazendo a chuva,
o sol, as noites, as estrelas,
e fogem para o infinito,
porque o infinito
é o tempo...

Em nossa vida,
muitas horas têm fugido,
muitos dias sucedidos aos dias,
trazendo de longe
o reflexo do passado,
das horas que durante
quatro anos convivemos,
sentindo nas horas
que fugiram,
a pureza de uma
doce amizade,
o convívio suave e puro
dos tempos de colégio.
Bendigo as horas
que naquele tempo fugiram.
Bendigo os dias que aos dias
se sucederam, naquele tempo.
Bendigo as recordações
suaves, daquela fase da vida,
bendigo a canção da saudade
que hoje canta
em nossa alma.

Bendigo as horas
que agora fogem,
deixando-nos
a suave melodia
da recordação.
É que as horas fogem
E os dias sucedem aos dias...

Lucília Paixão Passos - minha saudosa bisavó

segunda-feira, agosto 27, 2007

Um axé

Escondo meus olhos do mundo
De escuros, fora de moda ,filtro relações
o cabelo merece um trato
mas segunda não se espreme limões
mesmo que a amargura
estege no sangue
Mesmo que ainda venham
muitos outros verões
"Lembranças da Bahia"
vivências e sermões

Três desejos é folclore.

sábado, julho 28, 2007

Independente

Só digo do amor,
que é pra poder falar
faço dito pra supor
e pra se comentar

Do amor mais profundo
que quer reavivar
Do amor mais soturno
não posso comentar
Do amor mais carnal
só quero me lembrar

Pra que o mundo entenda
que meu eu não é cimento
nem previsível como gesso
pra pre-saber o meu momento

Eu sou o que sou por gostar
o viver o que Deus dará
sem entender bem o que é o ser
e rezar o meu bem querer

Uma há de ser
ou outra meu reviver
só cabe a ela entender
que minha tranquilidade
não vai ser razão apenas
do eterno bem ser.

terça-feira, julho 24, 2007

Esta lá

Afundarei numa pesquisa sobre mim mesmo,

afim de chegar num lugar obscuro que preciso conhecer.

Não que não goste da felicidade,
mas esse universo emerge e
de mim evade .
Não é questão de querer ,
mas questão de ser.

É questão de tempo.
Pra curar... porque estou procurando resolver os novos porquês.
Mas agora solucionarei de outro jeito.
Em processo criativo.
Porque quero ganhar a vida.
Nem que seja com minhas víceras.

quarta-feira, julho 11, 2007

Tom Zé discursa

No momento do discurso que anuncia o fim dos tempo
em que um homem de setenta
ensina jovens a ser menos comportados
O amor se esparrama em todo tempo
É paradoxal pelo momento que ocorre
Embeleza e incomoda

E o amor ocorre nesse estado
Mais que lindo,
é lambuzado
e o perfeito é que ocorre
no momento errado

Mas é urgente
não espera um momento
Pegajoso e atrevido
esquece o mundo do tempo
em troca de um chamego

Mas esperem,
não parem agora
precisamos que reclamem
provocar a caretisse
Como nosso palestrante da brasileirísse
que descomungou o mundo da mesmísse.

domingo, julho 08, 2007

Sherlock Freud

Armadilha armada
Da boca do lobo
não passa nada
Sem nada forçar
só deixando correr
Deu-se a largada do querer

Convencido que sinceridade
é diferente e desconexo
com abrir a intimidade
Exercito o mistério
de agir e me calar
sem me lançar na claridade

Descobrindo que a beleza da forma
está na mistura harmônica
entre a luz e a sombra
E que o detetive só desvenda
a mentira da perna curta
com pistas
e culpas.

Morena 996

Essa espécie eu conheço
Mulher tipo Deusa
que o tempo abre passagem
Não olha pros lados nem por reflexo
não denuncia seu olhar periférico

Um andar calmo e equilibrado
E como mágica dá menos passos
mas nunca fica pra trás
Pelo contrário
quem deseja segui-la
é que precisa correr mais

Linhas suaves
seu rosto e seu corpo não denunciam seus sentimentos
nada o que se passa incomoda seu pensamento
sem deixar de ser viva e inteligente

Será?
Prefiro nem conversar a descobrir que não é.
destruir uma Deusa pode me amaldiçoar
Causar um trauma na minha estrutura
Pode tirar meu encanto de tal forma
capaz até de me habilitar
a conquista-la.

quarta-feira, junho 27, 2007

Filmes do outono

Viajo por mundos ficcionais
e cada um deles reflete algo
de quem eu sou
ou do meu universo

Longe de qualquer guerra
ressôa dentro de mim
um rufar de escudo espartano
Mesmo prezando e cultivando caráter
Uma pitada de "cheiro do ralo" me respinga
Sou neurótico o bastante para me reconhecer
em falas do WoodyAllen
Sou bobo o bastante para me ver
no teatral rolar "na cama"

Tão diferentes
todos em mim
mas minha estória
sou eu quem faço.

Minha labuta

Imagens , planos , cortes
O tempo da criação
fórmula dada não tem graça
mas as vezes vale o quinhão

Entro por um motivo
Esperança de aprender um ofício
Fico por outro
viver do que gosta é difícil

Descobri que o papel de coitado
não combina comigo
Nem que eu quisesse
com todo jeito pra desfarçar
essa máscara niguém comprará

Devagar , devagarinho
também me sinto poeta
fingindo o que deveras vou
sentindo.

O amanhã

Mudar o mundo
com idéias e ideais
fazer pensar
fazer lembrar
que o mundo é vivo
e se vivo está
ao passo que está
logo morrerá

Uma nova ideologia
um novo jeito de viver
Cada um se perguntar
"o que eu posso fazer?"

Um sonho

Tudo organizado pra esquece-la
não a procuro mais
retratos guardados
mensagens apagadas
E a dura constatação adimitida
que cada pensamentonela,
que cada saudade que sinto
que cada vez que tenho a certeza que ela também pensa em mim
eu sinto sozinho.

Procuro sair com outras
sinto o prazer da atração
da diversão, nenhuma preocupação
Mas é certo que estou
a kilometros de outra relação

Hoje acordo com um sonho
imagens a me perturbar
era ela bringando feio
só pra se aproximar
juro, não sei mais o que fazer
muita calma nessa hora...
por agora não dá pra esquecer.

Vital e sua moto

Duas mulheres
uma loira e uma morena
e eu numa moto pequena
carrego as duas na inocência
e na esperança de um futuro
busca eterna de felicidade e prazer

Espere , não sou guloso
já aprendi a escolher
só quero a morena
que alegria é você.

Programa maduro

Um dia quente,
uma praia distante
Muito azul, verde e sinceridade

Controlar os hormônios,
mantendo a naturalidade
Elegância sem vaidade,
Lado ôgro fica hibernando.

Uma balança,
confiança confiança
Deixa quieta a criança
que o corpo adulto também cansa.

A ser trabalhada

O que mais quero hoje
é matar ela por dentro de mim
e todo amor a ela reservado
Capaz de suprir muita carência
pronto pra satisfazer loucos desejos

Mas você parece que fez de propósito
e intesamente viveu nossa paixão
se espalhou em todo canto
Não tenho um dia de descando
sem lembrar de um dia nosso
alegre, triste, quente , complexo

Depois de você tive que me reconstruir
pra não amar tudo que vem de você
levantar a poeira, polir as farpas
do meu grosso e tosco, aprendiz de coração

Independência em construção

Meu espaço
Meu fogo
Minha mulher
Meu conforto
Meu cheiro
Minha comida
Minha rede
Meus óculos
Minha prancha
Meu ir e vir
Meu pensamento
Sempre.

Comunidade

Conviver
Todos macacos
Se juntam,
agrupam
Respeitam um macaco macho
que possui uma fêmea
Este dita o compasso
o alimento
o fogo
quem vem
quem vai

Mas também tem a pequena fêmea,
que possui um macaco fraco
todos estão vendo
até ela,
menos ele.

Todo bem é relevante
todo presente avaliado
que traz consequências
Toda aproximação é delicada
todos se protegem ao menor sinal de
ameaça
ao bem
a mulher
à normalidade

Regra da casa
importante é rir junto
por isso
é bom aprender a mentir.
Na virada, espero que XXXXXXXXX, NÃO CONSIGO
XXXXXXXXX , NÃO QUERO
Pra me concentrar no que sou
pra nascer algo novo
Às recordações,que fiquem guardadas
mas nem sempre lembradas
Devagar, serão boas memórias.

terça-feira, junho 26, 2007

Passa , passou , passará

Quem disse que o que passou não volta mais?
Na memória esta aquilo que passou
E quando o mal resolvido marcou
tenho que voltar e vivier o vivido
Mesmo que sofrido, imoral, indevido
anti-ético, complexo, doído

De estrema necessidade a sinceridade
pra sentir o que não sentiu naquela idade
pra não deixar vazio por dentro

E o único conforto nessa viagem
é que com o tempo tudo isso passe.

Agua e sal

Cream Craker
não enche
só faz crac
no buraco
do vazio.

Questão antiga

Um delírio , a cuca esquenta
o repúdio a mata adentra
sem saber o porque de pensar
porque Deus tem de nos provar

Estou longe da verdade
mas a busca não cessa
pelo acalentar da alma
pelo dever cumprido
pela razão de viver

Mania duida que aprendemos bem cedo
de deixar ao outro
o julgamento de nossas vidas
Mas hei de tomar as rédias desse caso
sem sentir medo da sentença

domingo, maio 13, 2007

To de volta não falta. Fui voltei.

Voltando pra dizer que estou partindo. Não abandonando esse barco, porque esse barco virtual não é lugar. É luz. É zero e um. É pouco. Estou partindo pra vida, que as vezes esqueço de viver . Mas algo ferve no centro de mim. Algo dizendo pra tudo que eu estou fazendo uma frase simples. " VAI SE FUDER!". E é nessa que descubro as cagadas da vida quando estamso preocupados pensando no que os outros vão pensar. Quando tenta se programar. Quando quer se defender. VAI SE FUDER SE DEFENDER!" Eu quero mais é perder, se for do jeito certo. Se for de verdade. Se for sincero.
Eu só desejo que esse sentimento perdure. Que esse texto seja uma memória , pra não esquecer o feijãozinho com arroz dessa vidinha burguesa de satisfação é pouco. E eu que pensava que já vivia mais. Cabeça burra que fazz pensar que sabe mais, cabeça burra que maquina uma ilusão que só existe pra mim, mas que parece muito a realidade.
Serei alguém. Serei eu.
Estpu me despedindo, porque estou de volta. Mas de outra forma. Agora apareço mais sincero. Isso é o que importa.

terça-feira, abril 24, 2007

Segunda em Copa

Esse horizonte não inspira
não esse perfeito e imaculado
congelado, postado
maravilhosamente falsificado

Em Copacabana, o retrato que contemplo
vivo, simples, imperfeito
vejo o que a inspiração precisava ver
Amendoeiras urbanas
verdadeira flora contemporânea
carioca tropicana atlântica

Uma faixa estreita entre prédios
uma montanha iluminada
eternas luzes noturnas
onde a Light não assusta
já que o gato mia no telhado
e a poesia cai do outro lado

O Choro que outro dia
traduzia o lamento dali de cima
hoje é o desafogar do cotidiano
de uma sofrida e amedrontada burguesia

Preocupado agora com minha própria vida
que por vezes deixo a deriva
pretendo dar um rumo
pras escolhas e pras rimas
pois andaram esquecidas

terça-feira, abril 17, 2007

''Diz se é perigoso a gente ser feliz"

É perigoso ser feliz.
Periga de pensar que por ser feliz não haverão mais tristezas
Periga de alcança-la e não reconhece-la, e assim perde-la, por não cultiva-la
Periga de não esquecer que as maiores felicidades não podem abafar as pequenas
que estas sustentam e complementam as grandes

Arrisca-se a viver a plenitude do ser humano,
e sentir todos os sentimentos que o homem tem direito
morais, imorais, celestiais
mundanos, marcianos, venusianos
Amor e ódio, misturados no desejo
Se não os permite, periga fugir
abandonando também ser feliz

E o maior dos perigos é perder a tal felicidade
e permite-se viver aprisionado na saudade
de um dia ter vivido nessa intensidade
esquecendo que é capaz de reencontra-la mais tarde

Porque felicidade começa no encontro
da razão coma vontade
Porque pra mim, felicidade
é sentir e viver com intensidade

Assim termino,
sem rima , sem regra, sem medida
O risco de ser feliz é o de viver
e pra viver não basta nascer

(...)

Só posso falar do que vivi e aprendi
o que não me exime de errar
como sei que errei
mas na vida há chance de mudar
basta refletir e experimentar

quarta-feira, abril 11, 2007

UMA aurora da vida

Encontros marcados com as crianças do mundo
seus braços agarrados em abraços profundos
me fitam nos olhos e nada procuram

Atordoado com suas presenças
assistindo cada dia
descobertas da vida
sem culpa de perguntar
sem lei pra obrigar

Quem aprende sou eu
a não prever uma ação
me deixar surpreender
aceitar gratuita admiração
e a receber carinho

Reconheço antigas atitudes
dos meus tempos de escola
Nossos adultos são crianças
vivem querendo colo
Estou mudando muito
Um muito que não tem volta
Mas sem elas vira quietude
e silêncio não me consola.

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Joelho ralado
nariz sangrado
dor de cabeça
to enjoando
Desculpa não falta
pra uma enrolada
E tanta pergunta
me tira a fala

Meninas crescem primeiro
os meninos bem depois
Já parei de brincar
Tô De Autôs!

A Luz

Não há luz
não há refração
Escrevo no escuro
Garrancho na escuridão

Faço planos
Revejo falhas
Estou calmo
não remoo migalhas

Eu vejo os problemas
e não me desespero
Impaciência mental
vomito no papel

Humanos
Mais que bichos
bichos que repetem
Ensinamento
Treinamento
Lamento

Há criar?
Tento o novo.
Por isso vomito
ou durmo
garranchos
no escuro.

segunda-feira, abril 09, 2007

Es cuestión

Por que fingir? Por que desfarçar?
Por que se esconder ? Se alterar?
Por que se defender ? Por que me julgar?
O que é que há?
O que é que há?

O fato de fato é fato
A hora na hora é a hora
Que diferença faz agora,
se ela não me namora
Que diferença faz então
da outra ou do seu João

Uma idéia fixa na mente
que não foi Deus quem mandou
me expulsou do seu convívo
me liberou , me libertou
o coração ficou vazio
mas desejo no corpo ficou

Por que negar a paixão?
Por que prefere a solidão?
Por que não me dá a mão?
Por que não? Por que não?

quinta-feira, março 22, 2007

Quarta-feira

Promessa é dívida
cumpro com a minha
tentar expressar a felicidade
que senti nesse dia

Coisa boa é saber
que o dia que nasce é especial
e o acaso conspira a favor
O despertador não toca
pra sobrar umas horas
essenciais para viver a vida
desse agora

Uma surpresa é um exercício de mentir por uma boa razão
ideal que todas as "inevitáveis" mentiras mereciam
O maior dos desafios é fazer o de sempre com naturalidade
E ai, os detalhes mágicos de todo dia se denunciam
O prazer do cotidiano se percebe
no repetir com consciência as pegadas
do caminho que traçamos sem pensar
Um passo em falso
um comentário exagerado
uma dica impensada
surpresa avacalhada

A responsabilidade de servir
o banquete dos amigos
é recompensada no soar
do primeiro comentário
Expressão de bom sabor
que mata toda dúvida
que justifica cada esforço
As escolhas e as medidas
foram bem pedidas

Muita sacanagem, muita maledicência
soam piadas e gargalhadas,
com todo respeito e decência
Pois o duplo sentido sempre respeita os inocentes
e os entendidos fazem reverência.

E a festa assim sem mais
com surpresa ou não
tanto faz
todo mundo reunido
cada rosto um sorriso
essa noite acaba em paz

quinta-feira, março 15, 2007

Ferve

Ela tem dono
e esta feliz assim
Tão amorosa
mais que uma delícia
Invejo com força
Queria essa moça
Tive a certeza
que no final da estória
o mundo a carroça
dava uma volta
e logo de volta
a traria pra mim

Ela é uma maravilha
me conhece como ninguém
me tem pra eternidade
e por isso faz desdém

Meu modo de ver a vida
já mudou faz tempo
pra viver e compreender
que isso iria acontecer
Entender a impossibilidade
e concluir que nosso caso
de baixa probabilidade
se perdeu no anoitecer

Aceitar os novos encontros
como algo a durar
claro e porém
se a vida vadia deixar

Por que sem ela, não sei não
acho que demorarei na busca
provando outras frutas
desse jardim de deleite
pois a vida carnal
não é nada mal.

Mas não nego a saudade
de pegar na sua coxa
e mergulhar no seu mundo
inesgotavel de prazer
Só hoje consigo entender
e com a vida fui aprender
que agora sei amar
e te satisfazer

Arde

Inspirado no filme "A Fonte da Vida", de Darren Aronofsky; e em algo mais, sempre.

Covarde
contra a individualidade
negar escutar a vontade
julgar sem buscar a verdade
fugir sob a adversidade
amar e escolher a saudade

Ferir um guerreiro
quando este lhe abre o peito
quando este lhe estende a mão
Este se desfez de seu escudo
e armado contra a paixão
lutou com o peito sangrando
e a mente ligada em vão

O passado volta a julgar seu jeito
seus crimes de guerra e seus efeitos
batalha que não tem campeão



Agora faz sentido
foi necessário guerriar
haviam outros caminhos
o destino se deixou falar
e o maior de todos os amores se partiu
ensinado o guerreiro a mudar

segunda-feira, março 05, 2007

Breve ensaio, pra mais uma noite

Uma noite,
daqueles dias,
numa Lapa,
daquelas noites,
estava eu
com uma pessoa,
que não conhecia
uma pessoa,
que passou a conhecer,
e assim me conheceu.
E de papo pra lá
e papo pra cá,
uma pergunta nasceu
-Essa pessoa sou eu?


Na verdade a questão foi: Você gosta de dormir?
A resposta automática, o senso comum diria que sim. Quem não gosta de dormir. Deitar na cama , descansar, aquele conforto... Alguns reconheço maior sinceridade nessa resposta, como meu irmão, que estimo que durma entre 9 a 11 horas por dia, se assim lhe for permitido. Talvez um parentesco primitivo com a preguiça, ou um primata mais sonolento. E assim como o meu irmão, aquele que eu não conhecia, mas conheci, dizia o quanto adorava dormir, e que perigava trocar muitos de seus programas para ficar ficar dormindo. Defrontado com essa afirmação, me deparei como minha imediata conclusão. Não troco nada pelo dormir.

Entendi, mais tarde, que não gosto de dormir. Entendo essa pratica cotidiana e fisiológica como uma obrigação, para a regulação e funcionamento do corpo, para o reabastecimento das energias. Assim dizendo, é como se levássemos nosso corpo pro posto de gasolina, para a calibragem dos pneus. Mesmo sabendo de sua importância, adio até o máximo possível, até a última gota de combustível.

Quanto mais esgotado, melhor, para que não haja o intermédio do tenebroso ato de rolar por toda área da superfície do colchão à procura de uma posição satisfatória, confortável. E quando se passa de um certo período de tempo nessa busca, chega como um raio à mente um pensamento único, uma constatação que impossibilita todo plano de descanso daquela noite. Palavra que desencadeia uma série de pensamentos sobre a consequência da noite mal dormida no dia seguinte. INSÔNIA. Se cheguei nesse ponto, o jeito é desistir de dormir e buscar outra coisa pra fazer. Escrever , ler, estas são de prachê.

E é nessa hora que muitas coisas vem a tona. Coisas que tento ignorar. E não me vale escrever a última experiência da madrugada. Não vale nem dar dicas. Outra noite não dormi de tanto pensar naquela que virou a cabeça. A memória do seu cheiro, literalmente, tirou meu sono. Mas esse é o melhor dos casos...

Pior é quando ao fechar dos olhos, forçando um sono induzido, o corpo aumenta sua percepção tatil e o corpo todo se transforma num painel de um Boeing, cheio de botões, alarmando toda e qualquer modificação no estado normal do ambiente. Então sinto a velha dor no joelho, desconforto na coluna pelo modo torto que encontrei pra dormir. Sinto calor quando coberto, muito solto quando descoberto. E um maldito mosquito invisível que pousa nos lugares de mais difícil acesso do corpo, só pra me atormentar. Nem quer mais meu sangue. Faz só de implicância. Ainda cisma de vir me contar segredos. Sem dúvida o maior desafio e a maior diversão dos mosquitos. Voar bem perto do ouvido, multiplicando o micro ruído, transformando-o em um som omnipresente na mente, ativando transmissores cerebrais de auto-destruição que resultam num movimento involuntário de largar a mão na própria orelha ( que desculpa esfarrapada que criei pra tamanha idiotice). O mais provável é que logo ele volte pra mais um divertido segredo.
Em fim, vou dormir, tô bem cansado.
Como se fosse fácil, doce ilusão.

sábado, fevereiro 24, 2007

DEsperto

O papel em branco desafia
- Quanto desse sentimento você é
capaz de expressar?
Um pensamento vago
me alucina
Nada mais faz sentido
nesse dia

A textura da persiana verde
em contraste com a primeira luz do dia
laranja, vermelha
cheia de energia
reflete nas janelas vizinhas
o que as cortinas fingem esconder

No meu refúgio ouço
pássaros a despertar
e um grosso ronco
da moto a rufar
Coisa de poeta-bossa-nova
passarinhos a cantar
mas aqui é verdade
não cabe negar

Aqui o crepúsculo vai subindo
e não canta piriquito
esta tudo morno e calmo
eu queria ouvir um grito

quinta-feira, fevereiro 22, 2007

Vivo

Os animais vieram me visitar
como ha tempos não acontecia
primeira vez após constatar
que posso sentir e me relacionar
com toda forma de vida

Então veio a barata
tão forte, tão desesperada
essa era grande e arrojada
me assusto ao encara-la
no meio do caminho, ali parada

Não vacilo, não penso
vou em modo automático
com o chinelo de borracha
corre,tapa, mata
nem sei se morreu
mas o ato assassino ocorreu
e com grande pezar
sinto, sei, ela só apareceu
porque precisa conversar

E agora minhas lágrimas são para a barata
e toda vida e morte impensada.

segunda-feira, fevereiro 19, 2007

Memória de um caderno perdido

O carnaval começou mais cedo
e na sexta já percebo
que algo no mundo mudou

Serão dias indescritiveis
Serão dias expressiveis
Serão dias de morte e vida
Terão dias irreversíveis pra toda vida

Sozinho e muito bem acompanhado
responsavel por mim e mais ninguém
todo sentimento é sincero e terreno
a memória de um caderno na mão do ladrão
"é carnaval, a moral esta no chão"

quinta-feira, fevereiro 08, 2007

Trasitando pela fantasia


A muito não falo de cinema, apesar de ter assistido a uma boa variedade de filmes esse último mês. Dando um descanso às minhas questões e impressões da vida, no engatinhar do que pode um dia virar poesia, volto a escrever sobre o que vi em quadros de luz.

Já que falei em inocência, vale comentar um filme não muito original em seu roteiro, mas que é um bom filme dentro do tema de ilusões infantis x realidade cruel. " O Labirinto de Fauno" é uma estória de uma menina que vai viver num campo militar espanhol, durante a Segunda Guerra Mundial. Nesse período, vive o choque de viver as fantasias de seus contos de fadas e a dura realidade de ter como padrasto o capitão do campo militar, o modelo mais escarrado do militar franquista, sanguinário. Vivendo nesse cenário, rapidamente nos vemos no meio de um conflito político entre franquistas e anti-franquistas, em que os fascistas são os filhos do capeta, e comunistas a bondade encarnada nos campos. Não quero defender nenhuma posição ideológica aqui, mas analisar qualquer período da história mundial de forma maniqueísta é simplificar qualquer questão. Acredito que não seja a intensão deste belo filme analisar históricamente o fato. Entendo que o uso de um período real da história era necessário para se fazer o contra-ponto com a fantasia.

Neste filme, a simplificação da questão é a ferramenta para a comparação com a maturidade e a inocência. Serve como exaltação de valores éticos humanistas. Assim, o diretor resolveu caprichar nas cenas de violência, para que o filme não se confudisse com um filme de fantasia infantil. As doses de realidade cruel são fortes para que não se confunda o teor adulto do filme.

Mas a forma que as duas estórias são contadas paralelamente e se misturam durante o o filme, deixando uma eterna dúvida se elas se tocam, faz com que o filme de Gulhermo Del Toro tenho um grande poder de envolver o espectador. Guilhermo procura, como poucos , se posicionar perante suas questões. Deixa a marca de suas opiniões. E o faz numa forma de contar a estória que faz o filme uma obra de arte.

Outro tema abordado, é a exaltação da crítica. O ato de receber ordens e cumpri-las sem friltragem é a questão pertinente para toda ideologia e disciplina do silêncio. Formas de comando que proibem ou inibem a expressão e o pensamento. Clássicos do cinema abordam esse tema, de diversas formas.
Fahrenheit 451, de François Truffaut, retratou em outro universo de situações, no plano de uma realidade extrema, o que seria a falta de crítica a comandos em uma civilização.

O Labirinto de Fauno se destaca em imagem, uma fotografia clássica, mas muito bem montada, irretocavel. Grande destaque para a equipe de Arte. Cenários, figurinos, maquiagens que nos lançam no Período da Segunda Guerra e destacam todo o mundo de fantasia forte e dura. Me parece que o trabalho de figurino dispensou muito de efeitos digitais, o que deixou tudo mais real.

Somando tudo, torna O Labirinto de Fauno mais um bom filme de Del Toro. Mas tenho a impressão que esse filme tangeu a linha do comum. Um passo a mais ou a menos; um fator a menos nessa adição, poderia torna-lo um filme da Disney.Mas o conjunto de acertos em todos os detalhes do visuais do filme, e o posicionamento crítico e passional do diretor tornam este um grande e belo filme. Além de um embrulho no estômago.

terça-feira, fevereiro 06, 2007

Pra mudar o clima

O clima esta mudando. em breve alguns pensamentos desse novo momento.
E hoje, de surpresa, por acaso, ouvi esse samba.

Jovelina Pérola Negra - Sorriso Aberto

É
Foi ruim a beça
Mas pensei depressa
Numa solução para a depressão
Fui ao violão
Fiz alguns acordes
Mas pela desordem do meu coração
Não foi mole não
Quase que sofri desilusão

Tristeza foi assim se aproveitando
Pra tentar se aproximar
Ai de mim
Se não fosse o pandeiro, o ganzá e o tamborim
Pra ajudar a marcar (o tamborim)

Logo eu com meu sorriso aberto
O paraiso perto, pra vida melhorar
Malandro desse tipo
Que balança mais não cai
De qualquer jeito vai
Ficar bem mais legal
Pra nivelar
A vida em alto astral

segunda-feira, fevereiro 05, 2007

Cuidado pra dizer

É fácil escrever sobre a tristeza
dificil é falar da felicidade
pois nesse estado forte e milagroso
quero leva-lo pra eternidade

Me escapa o expressar
desse sentir fugidio
tão dificil de segurar

Não pense que sou triste
só porque escrevo algum lamento
Não falo das alegrias
por boa critica ao movimento

Pra expressar alegria
no formato poesia
Manterei a primazia
e me negarei a propagar
qualquer alegria vazia
Fujo do lugar comum
de expressão de felicidade
acredite, estou vivendo-a
sem aleatoridade

Enquanto a vivo esqueço
a necessidade de comunicar
Prometo tomar mais cuidado
escreverei o que muitos chamam
que é a forma de amar

Aproveitar o estado de maravilha
o tempo que puder viver
quando ela se for, reflita
chega a hora de crescer

domingo, fevereiro 04, 2007

Sentindo

Por isso hoje dói,
não consigo definir o pois
só consigo concluir
que esse mundo não funicona
na lógica do dois mais dois
E mesmo tendo todo orgulho
de ser quem eu sou
aqui sozinho estou
E amando sinceramente vou
sozinho aqui estou.

Não sei mais o que sou,
não me enxergo nesse mundo
não sei se sou legal ou chato
nem se superficial ou profundo
meu peito aperta por sentir
o que os fatos não podem mentir
Estou sozinho aqui
Ainda que me expondo,
que me abrindo,
que me esforçando,
que, em fim, sinceramente, sentindo
Estou aqui sozinho.

quinta-feira, fevereiro 01, 2007

No momento

Me tome como tolo
ou então como inocente
mas escrevo poemas curtos
de forma simples de displicente

Ainda não dou respostas
Por pretensioso não vou passar
Na hora certa,
quando o galo cantar
darei também respostas
ao que o mundo perguntar

Por aqui marco o passo
e o compasso
Sigo a vida a divagar
devagar.

quarta-feira, janeiro 31, 2007

Impensado


Encaro minha realidade
E me pergunto em silêncio
Sou hoje o resultado
de tudo que o mundo deu,
ou sou filho dos meus atos
dessa vida conquistados?
(já aprendi com um amigo
não é ou de Raquel, é e de Drummond)
Fui vivendo ao meu gosto,
as vezes desafiado.
Por vezes bati o pé,
por outras errei o passo.
Pode parecer mimado,
talvez desajustado.
Verdade é que até hoje,
nada foi planejado.
Sem objetivo,
sem rumo,
fui seguindo meu querer.
Não sei se mudei um mundo
Não sei se mudei você.
Revelo fotos
monto um painel,
encaro a vida que montei.
Nem bom, nem mau.
É real, nem sei.

quarta-feira, janeiro 24, 2007

Uma mensagem pra você


Seus Passos - Samuel Rosa e César Maurício


E quando caio do seu bolso
Escorrego pelo rosto
Nossos beijos e palavras
Ficam soltos no lugar
E o que dizer desse segundo
Distraído do olhar
Que no infinito corre mundo
Onde o céu encontra o mar


Nesse jogo de reflexo
A certeza me distrai
Seu desejo é meu início
E eu estou tão perto agora, eu sei
Uma curva, não um risco
Alegria é como um vício
Nesse livro nossa história
Estampada em seu olhar


Você vai dizer que não
Eu sigo seus passos
A caminho do meu coração
Você vai dizer que não
Eu sigo seus passos
O caminho é meu coração

quarta-feira, janeiro 17, 2007

Dureza

Não consigo dormir. A cabeça esta simplesmente ligada, em paradoxo com o corpo cansado. Na verdade, não sinto cansaço. Sinto dor. Dores espalhadas pelo corpo. Dor de diversos tipos. Posso identifica-las para catálogo. Na canela - dor no osso, do treino de banda e cabeçada com o judoca. Na panturrilha direita - devo ter levado um chute forte, que nem Gelol tá passando. No joelho - calombo hereditário. Herança tanto de pai quanto de mãe, que dói esporadicamente, sem aviso prévio. Na bacia - muito treino de martelo no aquecimento do treino. Resultado de um final de semana puxado no sedentarismo, brindado por uma festa de casamento.
(péra ai que o joelho ta mandando sinal).No estômago - de um joelho ( esse é o salgado) misto-monstro-Guiodai que espero ficar longe, pelo menos pelo tempo que durar essa lembrança. No peito - por ter levado na cara, da pessoa que cismei em confiar. Essa dor faz reflexo nos olhos, que cismam em chorar. Na cabeça- do conflito na minha mente, que luta para não permitir que eu aprenda esta lição, que o mundo ( moderno, adulto, malandro, sei lá) não permite que confiemos em ninguém. Batalha solitária essa da vida. E sofrida para mim, que sempre acreditei na força de uma amizade, que sempre quis ser alguém de confiança.

Meu peito esta amargurado. Se a lição for aprendida, um pouco mais de maldade terei aprendido. Chega a doer em certos pontos a cabeça. Lugares não explorados desse terrenos nebuloso.

Tentando com perita ineficiência caçar o sono, li um pouco sobre a História do Cinema Mundial. depois rolei de todos os lados da cama, apelando para a almofada entre as pernas e nada; tentei a cara sufocada no travesseiro e também não. Acho que tem muito travesseiro nessa cama. Então lembrei de um livro que comprei, de cartas trocadas entre Clarice Linspector e Fernando Sabino ( este ao qual concluí hoje, ser o o meu autor predileto). Fiquei emocionado com o simples fato de escreverem, demonstrando cumplicidade, interesse por saber do outro e amizade. Dois personagens que conhecendo somente pelas suas obras, nunca imaginaria seu vinculo, sua amizade, essa ligação.

Pois bem, na carta de Fernando do dia 6 de julho de 1946, Fernando chega a conclusão que "viver apenas não basta. é preciso uma convicção. Certa ou errada, mas uma convicção e conscientemente escrever , falar, brigar, viver por ela."

Penso em ter a convicção de não me entregar à dureza, à aspereza , à dissimulação. Ao invés de aprender com a porrada das pessoas que bem quero, ensinar. Meu orgulho sangrará muitas vezes, acompanhado dos punhos arrebentados nas pontas de facas. Mas prefiro isso a amargura.

Citação fácil, mas não menos oportuna:
"Hay que endurecerse, pero sin perder la ternura jamás."

E a conclusão de algo que aprendi num passado recente. Com o tempo essas dores passam. Todas elas. Menos a do joelho que cisma em voltar.

PS- Será que agora consigo pegar no sono?

sábado, janeiro 13, 2007

O tempo que nos é dado.


Mais estranho do que a ficção. Um nome instigante. O que poderia ser mais estranho do que aquilo que não é a realidade? E é da realidade que esse emocionante filme trata. Sobre o tempo da vida e o que fazemos com o tempo que nos resta. Viver em função do tempo ou viver o tempo.

(( O tempo perguntou ao tempo quanto tempo o tempo tem. O tempo respondeu ao tempo que o tempo tem tanto tempo quanto o tempo o tem))

Viver o tempo é salvar uma vida. A própria. Fazer escolhas, nem certas , nem erradas, as suas. A que você quer. O querer. Primeiro passo pro pleno fazer.
Porque a unica-certeza-da-vida nos informa que não basta estar vivo. Tem que viver. Amar, abraçar, se apaixonar. Correr, comer, contar. Crescer , beber, gozar. Bater, apanhar e desculpar. Vencer, perder e dançar. Ler e sonhar.O maior desafio da vida é viver.

Um roteiro com um argumento surpreendente que cria um universo infinito, questionando a velha voz que narra os filmes, mas supondo que esta seja ouvida pelo personagem. Pode ser encarado como um reflexo da conciência, ou um exercício de reflexão sobre a vida. A voz que narra a vida desta auditor fiscal é de uma escritora britânica, mas poderia ser a voz do Grilo falante, a voz de Deus ou a a da vontade interior de viver. Mas na forma de escritora ainda ganhamos um passeio pelo universo literário. Brincar com a possibilidade da transposição da ficção sobre a realidade. Vagamos pela filosofia contida nos grandes autores. E vemos um recorte de uma personagem no caótico processo de criação. Dessa face da estória, vale também pensar o quanto de nós está presente naquilo que produzimos. Muito, certamente. Tudo?

segunda-feira, janeiro 08, 2007

Preguiça

Quero fazer
quero criar
sei o que dizer
e não sei no que vai dar
O corpo vem e me diz:
agora não dá.

Palavra pegajosa ,suja e pessonhenta
e todo adjetivo ruim de tirar
seja do corpo, seja do outro
ela cola e se esparrama
e se persiste, engorda e cresce

Esse é o meu momento
de sentar e observar
E porque sentar
quando se pode deitar?

Até o fim do mês
dou voz a minha barba
que brilha sob a luz
embebida do óleo do tempo

Quero entender a correria
pra voltar por mesmo lugar
Mulher, me deixa
fico com a sabedoria popular
Minha preguiça promete sair
quando parares de reclamar