terça-feira, outubro 31, 2006

Eu me lembro...


Assisti esses dias ao filme "Eu me lembro" do diretor Edgar Navarro. Um grande filme , reconhecido pela crítica, que recebeu vários prêmios do reconhecido Festival de Brasília, incluindo melhor filme, melhor direção e melhor roteiro. E só entrou nas salas comerciais depois de dois anos. Cinema bom no Brasil ainda tem pouco espaço e difícil sobrevivência.

Esse filme é uma análise de uma vida , das memórias do próprio diretor que passa por suas marcantes experiências , mas que são lindas pela falta de pudor e simples, pois são próprias de uma pessoa comum. Não são feitos extraordinários, nem traumas de dilacerar uma alma. Fala das primeiras descobertas da sexualidade. Menos e desejos. A relação disso e de tudo com a religião. Suas experiências para descobrir sua relação com Deus. O pai, a mãe.As drogas. O sexo . O amor. A vida e porque viver. Foda!

O filme tem inspiração na forma de contar estória de Felline. Já viu que eu gostei. Clara e deliciosa as referência do diretor a "Oito e Meio", do final, passando por personagens e pelo fato de tratar as experiências pessoais como Fellini. O subconsciente e as alucinações.

O resultado final do filme é surpreendente, não só pela beleza indiscutível ,mas pela capacidade de fazê-la com poucos recursos. Apenas 1 milhão. Para uma filme que retrata passagem de tempo de três décadas, 50 , 60 e 70.
É um filme que emociona, diverte muito e ensina a lidar com questões chaves da experiência humana. E pra confirmar que ninguém entra aqui, screvo o que senti depois do filme. Pensei que queria ter minha paixão ao meu lado para dividir aquela experiência. Comecei a pensar no que eu me lembro da história desse relacionamento que teve um desfecho amargo pra mim.

Lembro de momentos maravilhosos. De uma paixão fulminante de uma beleza charmosa, sexy sem vulgaridade. De uma alegria despreocupada e do meu desejo incontrolável de conquistar. Minha única intenção daquela noite.
Depois lembro de um caminho para um lugar mágico e a muito prometido, chamado Sana. Me lembro bem de um retrato. Eu dentro de uma combi, que eu sentia muito conforto. Um cheiro de serra cada vez mais forte. O sol forte sem muita humidade deixava a sensação da pele muito boa e as cores locais radiantes. No meu colo uma menina-mulher linda. Cabelos finos entre os meus dedos. O vento competindo o cafuné comigo. Uma pinta imaginária dava o tom da brincadeira.
Na próxima postagem falo mais das minhas memórias. Segredos públicos. Estranho. Quase certo que continuarão secretos.

sábado, outubro 14, 2006

Delicadesa e muito bom gosto


Não paro de me surpreender. A linguagem e o tempo italiano são indiscutivelmente belíssimos. Uma fotografia excelente de ambiente de palntações de oliva, casas amplas, móveis clássicos e arte espalhada por todos os lados, convivendo em harmonia com os moradores. Pura poesia. E esse grande diretor de quem já dediquei uma postagem volta a sensibilizar meu olhos com tanto bom gosto. Um extremo cuidado com todos os detalhes do filme que cria um microuniverso próprio para se expressar uma visão própria da vida e de seus momentos, momentos muito especiais.
Falo, mas não desvendo a curiosidade. Falo de Beleza Roubada, de Bertolucci (1996). De uma profundidade de sentimentos como poucos conseguem chegar. Um argumento simples, que melodramas poderiam já ter usado. Uma jovem virgem que volta a antiga casa de sua mãe para descobrir o verdadeiro pai.Mas a profundidade e a sensibilidade em que esses tema é abordado é que o torna tão belo. Cada personagem possui uma personalidade muito bem construida. Nada de maniqueísmos ou idealismos. Combinado com as excelentes atuações de todos atores que trabalham neste filme. Os personagens seguem um ritmo de vida que condiz com o cenário maravilhoso e poético daquele ambiente. Uma vida entre pessoas que vivem a arte, as letras, as palavras, a linguagem, comunicação. Personagens que vivem seus sentimentos, que não se resumem a moralismos ou traumas. Personagens inteligentes que vivem as questões próprias de todos, que revelam ao público verdades do trato humano, da vida amorosa e dos prazeres sexuais.

Levantar aqui as questões que o filme toca será pretencioso e incensível de minha parte. Deixo que cada leitura seja feita por cada leitor, assim como o filme expressa o diálogo com o espectador ( sim, consigo ver o diálogo agora). Cada um, personagens ou espectador, faz seu prórpio julgamento que pode ser frustado, transformado ou confirmado.

Não consigo expressar o suspiro no interior do peito, que o enche e parte com as sensações mais agradaveis e inspiradoras. Isso é a lembrança da combinação majestosa de beleza irretocavel e inteligência sensível. Isso é o filme e a beleza que cada espectador rouba pra si. De ver , de desejar , de tomar as imagens desta beleza pra sempre.

domingo, outubro 08, 2006

Os Italianos


Essa semana assisti alguns filmes de Bernardo Bertolucci. Semana passada falei sobre filmes de Felinni. Tenho reparado nos temas abordados desses diretores italianos uma tendência e uma facilidade se tocar com clareza em aspectos psicológicos. Mas não de casos isolados, incomuns. Não buscam por personalidades psicopatas ou extremamente problemáticas, comuns em filmes americanos.

"Antes da Revolução" se faz referência literal ao desejo incestuoso. Em "La Luna" a estória gira em torno da questão do complexo de Édipo.

Em "Os Sonhadores" vivesse uma questão de imaturidade e dependência, uma representação de uma personalidade como forma de se proteger da realidade, de sentir, mergulhados nos jogos e vivências do universo cinematográfico (ótimo filme de referências do cinema).
"O mundo particular dos protagonistas é um mundo de certa forma infantil, não permitido aos adultos repressores. O sexo surge como se fosse uma brincadeira, sem maldade ou perversão, uma evolução natural dos jogos infantis, bombardeados de hormônios. E todos agem como se estivessem interpretando, mimetizando a atitude cool de seus ídolos.

Vejo com bons ótimos esses filmes. Felinne em uma entrevista contou que sua motivação para filmar "8 e 1/2" era de fazer um filme que ajudasse pessoas que se reconhecessem de alguma forma a se superar. Outro filme com referência clara da relação do desejo, à culpa do desejo imposta pela cultura monogâmica e moralista e o desejo referencial ao modelo materno.

Fazendo ligação com a lingua italiana e sua cultura de grande potencialidade de comunicação e expressão sem censura ( claro que de forma generalizada), acredito que venha daí um potencial dos diretores italianos em tratar de temas comuns da mente humana. Buscarei mais informações para tentar traçar um perfi, um traço em comum, ou uma viagem pessoal.

quinta-feira, outubro 05, 2006

Falando de Fellini


No meu último texto fiz uma comparação entre a algumas relações do filme de Lars Von Trier e Frederico Felline. E por coincidência assisti a mais um filme de Fellini no dia seguinte, durante uma aula da professora Aida, curso de Cinema da UFF.
O que dizer de um filme que fala de uma entrevista com um diretor (que é o próprio Fellini) em quanto este dirige um filme que trata de como é fazer um filme. Este é o fio condutor de "Entrevista" (Intervista)e se trata realmente dos bastidores do cinema, retratando as relações de profissionais que são, antes de tudo, pessoas.
Percebi durante a exibição que grande parte das pessoas não aguentavam sustentar a atenção ao filme do início ao fim . Depois ouvi comentários sobre a verdadeira exaustão que não permitiam dar total atenção ao filme até o final.
Não é a primeira vez que ouço de jovens da minha geração esse tipo de comentário. Acredito que esse tipo de reação pode vir do costume de recepção de um filme numa linguagem específica, que tem como principal modelo a linguagem cinematográfica americana. Ou então a televisiva. Além disso, há a necessidade de maior quantidade de acontecimentos encadiados, uma busca de uma estrutura com princípio meio e fim.

Fellini desmonta essa estrutura. Monta seus filmes sem a necessidade de se chegar a algum lugar. Sem previsão de acontecimentos. Sem conclusão moral ou destino inevitavel. Dessa forma, consegue se aproximar como poucos da representação das relações humanas. E que beleza de relações com toda a expressividade da língua italiana!

terça-feira, outubro 03, 2006


De volta à alucinação

Esse fim de semana assisti a uma obra muito especial. Mais um trabalho de um dos maiores diretores contemporâneos. O filme DANÇANDO NO ESCURO de LARS VON TRIER marca características belíssimas do amor maternal, da amizade e defesa de um objetivo de vida digno. Mas também trata de aspectos repudiantes da sociedade construida e vivida pelos homens. Apesar de estar assistindo com 6 anos de atraso, Dançando no Escuro continua atual. É um filme que reafirma minha impressão sobre o diretor que me surpreendeu em Dogville.

Com estrema delicadeza, Trier conta essa história tocando em questões como o consumismo. Fala sobre ética, valores e objetivos para se viver. E no momento necessário, escancara, sem pudor, chegando a um resultado final que não me fez parar de pensar. É um filme que aponta pontos chaves de feridas da sociedade americana e sugere com sutileza algumas soluções.

Mas quero mesmo chamar a atenção para a forma de contar a estória que só um diretor com um olhar diferenciado e poético pode fazer. As diferenças de fotografia, de maquiagem e câmera constituem uma trasnformação clara e extremamente poéticas dos momentos de realidade, retratados com a camera na mão como se pudesse estar presente um novo personagem, um espaço que convida o espectador para ser mais um naquele ambiente, maquiagem natural e som ambiente ; dos momentos de alucinação , de sonho, contados com cameras fixas, fotografias muito bem trabalhadas, maquiagens perfeitas e trilhas sonoras compondo o som. Tudo isso condizendo com os sonhos da personagem de Björk, ideais poéticos montados sobre musicais. Ressalta-se a idéia de ligação cada vez maior da personagem com o som, conforme vai perdendo sua visão.

Esse efeito alucinativo me fez lembrar processos de inconciente de um outro mestre do cinema mundial. Mestre Fedderico Fellini. Este trabalha com o inconciente de forma maestral em seu filme " 8 e 1/2", condizendo , é claro, com o pensamento sugerido de seu personagem. Fellini acreditava que um filme não deve ter um fim. Algo de semelhante no ar. Veja Dançando no Escuro e entenda do que estou falando.

segunda-feira, outubro 02, 2006


Assunto em pauta: as eleições.

Com os votos das urnas apurados já podemos ter um diagnóstico de alguns resultados. Alguns políticos honrados e de prestígio inquestionavel, como o deputado mais votado do país. Outros como promessas de uma renovação de qualidade de quem se preparou para ocupar a cadeira de deputado, como o exemplo de homem público, Clodovil.

Não é saudável ao meur vêr, fazer o que fiz no parágrafo acima. Tratar com ironia de um assunto tão sério. Pois foi com a mesma ironia que muitos eleitores foram as urnas. Confirmaram máxima que o Brasil é o páis do oba oba e da impunidade. Tratar do futuro político da nação de forma irônica é não levar a sério a própria vida. Não firmar responsabilidades sobre os próprios atos.

Mais um detalhe: devemos voltar a desconfiar dos institutos de pesquisa brasileiros. Resultados bem diversos da margem de erro podem comprovar manipulação de resultados. Vide o caso das eleições do governo da Bahia. Percebamos que os resultados, infelizmente, não são apenas um diagnóstico, mas funcionam como forma de manipulação do pensamento do eleitor.

Tenho que sair... compromissos... amanhã falo sobre minha fase de compromissos...
Ainda que com o tempo mais que corrido e sem a certeza de ser fiel e disciplinado para manter uma página, criei-a. Criei-a para dividir momentos e pensamentos. Para tentar compreender qual o sentido e sentimento que envolve tornar impressões particulares em públicas. Expor uma ideia e ter a possibilidade de resposta de qualquer pessoa. Abordar o tema que melhor me convir.

Esse espaço será assim. Espaço pra discorrer, mesmo que descriteriozamente. Espaço para apontar, ainda que intuitivamente.