quinta-feira, outubro 05, 2006

Falando de Fellini


No meu último texto fiz uma comparação entre a algumas relações do filme de Lars Von Trier e Frederico Felline. E por coincidência assisti a mais um filme de Fellini no dia seguinte, durante uma aula da professora Aida, curso de Cinema da UFF.
O que dizer de um filme que fala de uma entrevista com um diretor (que é o próprio Fellini) em quanto este dirige um filme que trata de como é fazer um filme. Este é o fio condutor de "Entrevista" (Intervista)e se trata realmente dos bastidores do cinema, retratando as relações de profissionais que são, antes de tudo, pessoas.
Percebi durante a exibição que grande parte das pessoas não aguentavam sustentar a atenção ao filme do início ao fim . Depois ouvi comentários sobre a verdadeira exaustão que não permitiam dar total atenção ao filme até o final.
Não é a primeira vez que ouço de jovens da minha geração esse tipo de comentário. Acredito que esse tipo de reação pode vir do costume de recepção de um filme numa linguagem específica, que tem como principal modelo a linguagem cinematográfica americana. Ou então a televisiva. Além disso, há a necessidade de maior quantidade de acontecimentos encadiados, uma busca de uma estrutura com princípio meio e fim.

Fellini desmonta essa estrutura. Monta seus filmes sem a necessidade de se chegar a algum lugar. Sem previsão de acontecimentos. Sem conclusão moral ou destino inevitavel. Dessa forma, consegue se aproximar como poucos da representação das relações humanas. E que beleza de relações com toda a expressividade da língua italiana!

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