terça-feira, abril 24, 2007

Segunda em Copa

Esse horizonte não inspira
não esse perfeito e imaculado
congelado, postado
maravilhosamente falsificado

Em Copacabana, o retrato que contemplo
vivo, simples, imperfeito
vejo o que a inspiração precisava ver
Amendoeiras urbanas
verdadeira flora contemporânea
carioca tropicana atlântica

Uma faixa estreita entre prédios
uma montanha iluminada
eternas luzes noturnas
onde a Light não assusta
já que o gato mia no telhado
e a poesia cai do outro lado

O Choro que outro dia
traduzia o lamento dali de cima
hoje é o desafogar do cotidiano
de uma sofrida e amedrontada burguesia

Preocupado agora com minha própria vida
que por vezes deixo a deriva
pretendo dar um rumo
pras escolhas e pras rimas
pois andaram esquecidas

terça-feira, abril 17, 2007

''Diz se é perigoso a gente ser feliz"

É perigoso ser feliz.
Periga de pensar que por ser feliz não haverão mais tristezas
Periga de alcança-la e não reconhece-la, e assim perde-la, por não cultiva-la
Periga de não esquecer que as maiores felicidades não podem abafar as pequenas
que estas sustentam e complementam as grandes

Arrisca-se a viver a plenitude do ser humano,
e sentir todos os sentimentos que o homem tem direito
morais, imorais, celestiais
mundanos, marcianos, venusianos
Amor e ódio, misturados no desejo
Se não os permite, periga fugir
abandonando também ser feliz

E o maior dos perigos é perder a tal felicidade
e permite-se viver aprisionado na saudade
de um dia ter vivido nessa intensidade
esquecendo que é capaz de reencontra-la mais tarde

Porque felicidade começa no encontro
da razão coma vontade
Porque pra mim, felicidade
é sentir e viver com intensidade

Assim termino,
sem rima , sem regra, sem medida
O risco de ser feliz é o de viver
e pra viver não basta nascer

(...)

Só posso falar do que vivi e aprendi
o que não me exime de errar
como sei que errei
mas na vida há chance de mudar
basta refletir e experimentar

quarta-feira, abril 11, 2007

UMA aurora da vida

Encontros marcados com as crianças do mundo
seus braços agarrados em abraços profundos
me fitam nos olhos e nada procuram

Atordoado com suas presenças
assistindo cada dia
descobertas da vida
sem culpa de perguntar
sem lei pra obrigar

Quem aprende sou eu
a não prever uma ação
me deixar surpreender
aceitar gratuita admiração
e a receber carinho

Reconheço antigas atitudes
dos meus tempos de escola
Nossos adultos são crianças
vivem querendo colo
Estou mudando muito
Um muito que não tem volta
Mas sem elas vira quietude
e silêncio não me consola.

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Joelho ralado
nariz sangrado
dor de cabeça
to enjoando
Desculpa não falta
pra uma enrolada
E tanta pergunta
me tira a fala

Meninas crescem primeiro
os meninos bem depois
Já parei de brincar
Tô De Autôs!

A Luz

Não há luz
não há refração
Escrevo no escuro
Garrancho na escuridão

Faço planos
Revejo falhas
Estou calmo
não remoo migalhas

Eu vejo os problemas
e não me desespero
Impaciência mental
vomito no papel

Humanos
Mais que bichos
bichos que repetem
Ensinamento
Treinamento
Lamento

Há criar?
Tento o novo.
Por isso vomito
ou durmo
garranchos
no escuro.

segunda-feira, abril 09, 2007

Es cuestión

Por que fingir? Por que desfarçar?
Por que se esconder ? Se alterar?
Por que se defender ? Por que me julgar?
O que é que há?
O que é que há?

O fato de fato é fato
A hora na hora é a hora
Que diferença faz agora,
se ela não me namora
Que diferença faz então
da outra ou do seu João

Uma idéia fixa na mente
que não foi Deus quem mandou
me expulsou do seu convívo
me liberou , me libertou
o coração ficou vazio
mas desejo no corpo ficou

Por que negar a paixão?
Por que prefere a solidão?
Por que não me dá a mão?
Por que não? Por que não?