quarta-feira, janeiro 31, 2007

Impensado


Encaro minha realidade
E me pergunto em silêncio
Sou hoje o resultado
de tudo que o mundo deu,
ou sou filho dos meus atos
dessa vida conquistados?
(já aprendi com um amigo
não é ou de Raquel, é e de Drummond)
Fui vivendo ao meu gosto,
as vezes desafiado.
Por vezes bati o pé,
por outras errei o passo.
Pode parecer mimado,
talvez desajustado.
Verdade é que até hoje,
nada foi planejado.
Sem objetivo,
sem rumo,
fui seguindo meu querer.
Não sei se mudei um mundo
Não sei se mudei você.
Revelo fotos
monto um painel,
encaro a vida que montei.
Nem bom, nem mau.
É real, nem sei.

quarta-feira, janeiro 24, 2007

Uma mensagem pra você


Seus Passos - Samuel Rosa e César Maurício


E quando caio do seu bolso
Escorrego pelo rosto
Nossos beijos e palavras
Ficam soltos no lugar
E o que dizer desse segundo
Distraído do olhar
Que no infinito corre mundo
Onde o céu encontra o mar


Nesse jogo de reflexo
A certeza me distrai
Seu desejo é meu início
E eu estou tão perto agora, eu sei
Uma curva, não um risco
Alegria é como um vício
Nesse livro nossa história
Estampada em seu olhar


Você vai dizer que não
Eu sigo seus passos
A caminho do meu coração
Você vai dizer que não
Eu sigo seus passos
O caminho é meu coração

quarta-feira, janeiro 17, 2007

Dureza

Não consigo dormir. A cabeça esta simplesmente ligada, em paradoxo com o corpo cansado. Na verdade, não sinto cansaço. Sinto dor. Dores espalhadas pelo corpo. Dor de diversos tipos. Posso identifica-las para catálogo. Na canela - dor no osso, do treino de banda e cabeçada com o judoca. Na panturrilha direita - devo ter levado um chute forte, que nem Gelol tá passando. No joelho - calombo hereditário. Herança tanto de pai quanto de mãe, que dói esporadicamente, sem aviso prévio. Na bacia - muito treino de martelo no aquecimento do treino. Resultado de um final de semana puxado no sedentarismo, brindado por uma festa de casamento.
(péra ai que o joelho ta mandando sinal).No estômago - de um joelho ( esse é o salgado) misto-monstro-Guiodai que espero ficar longe, pelo menos pelo tempo que durar essa lembrança. No peito - por ter levado na cara, da pessoa que cismei em confiar. Essa dor faz reflexo nos olhos, que cismam em chorar. Na cabeça- do conflito na minha mente, que luta para não permitir que eu aprenda esta lição, que o mundo ( moderno, adulto, malandro, sei lá) não permite que confiemos em ninguém. Batalha solitária essa da vida. E sofrida para mim, que sempre acreditei na força de uma amizade, que sempre quis ser alguém de confiança.

Meu peito esta amargurado. Se a lição for aprendida, um pouco mais de maldade terei aprendido. Chega a doer em certos pontos a cabeça. Lugares não explorados desse terrenos nebuloso.

Tentando com perita ineficiência caçar o sono, li um pouco sobre a História do Cinema Mundial. depois rolei de todos os lados da cama, apelando para a almofada entre as pernas e nada; tentei a cara sufocada no travesseiro e também não. Acho que tem muito travesseiro nessa cama. Então lembrei de um livro que comprei, de cartas trocadas entre Clarice Linspector e Fernando Sabino ( este ao qual concluí hoje, ser o o meu autor predileto). Fiquei emocionado com o simples fato de escreverem, demonstrando cumplicidade, interesse por saber do outro e amizade. Dois personagens que conhecendo somente pelas suas obras, nunca imaginaria seu vinculo, sua amizade, essa ligação.

Pois bem, na carta de Fernando do dia 6 de julho de 1946, Fernando chega a conclusão que "viver apenas não basta. é preciso uma convicção. Certa ou errada, mas uma convicção e conscientemente escrever , falar, brigar, viver por ela."

Penso em ter a convicção de não me entregar à dureza, à aspereza , à dissimulação. Ao invés de aprender com a porrada das pessoas que bem quero, ensinar. Meu orgulho sangrará muitas vezes, acompanhado dos punhos arrebentados nas pontas de facas. Mas prefiro isso a amargura.

Citação fácil, mas não menos oportuna:
"Hay que endurecerse, pero sin perder la ternura jamás."

E a conclusão de algo que aprendi num passado recente. Com o tempo essas dores passam. Todas elas. Menos a do joelho que cisma em voltar.

PS- Será que agora consigo pegar no sono?

sábado, janeiro 13, 2007

O tempo que nos é dado.


Mais estranho do que a ficção. Um nome instigante. O que poderia ser mais estranho do que aquilo que não é a realidade? E é da realidade que esse emocionante filme trata. Sobre o tempo da vida e o que fazemos com o tempo que nos resta. Viver em função do tempo ou viver o tempo.

(( O tempo perguntou ao tempo quanto tempo o tempo tem. O tempo respondeu ao tempo que o tempo tem tanto tempo quanto o tempo o tem))

Viver o tempo é salvar uma vida. A própria. Fazer escolhas, nem certas , nem erradas, as suas. A que você quer. O querer. Primeiro passo pro pleno fazer.
Porque a unica-certeza-da-vida nos informa que não basta estar vivo. Tem que viver. Amar, abraçar, se apaixonar. Correr, comer, contar. Crescer , beber, gozar. Bater, apanhar e desculpar. Vencer, perder e dançar. Ler e sonhar.O maior desafio da vida é viver.

Um roteiro com um argumento surpreendente que cria um universo infinito, questionando a velha voz que narra os filmes, mas supondo que esta seja ouvida pelo personagem. Pode ser encarado como um reflexo da conciência, ou um exercício de reflexão sobre a vida. A voz que narra a vida desta auditor fiscal é de uma escritora britânica, mas poderia ser a voz do Grilo falante, a voz de Deus ou a a da vontade interior de viver. Mas na forma de escritora ainda ganhamos um passeio pelo universo literário. Brincar com a possibilidade da transposição da ficção sobre a realidade. Vagamos pela filosofia contida nos grandes autores. E vemos um recorte de uma personagem no caótico processo de criação. Dessa face da estória, vale também pensar o quanto de nós está presente naquilo que produzimos. Muito, certamente. Tudo?

segunda-feira, janeiro 08, 2007

Preguiça

Quero fazer
quero criar
sei o que dizer
e não sei no que vai dar
O corpo vem e me diz:
agora não dá.

Palavra pegajosa ,suja e pessonhenta
e todo adjetivo ruim de tirar
seja do corpo, seja do outro
ela cola e se esparrama
e se persiste, engorda e cresce

Esse é o meu momento
de sentar e observar
E porque sentar
quando se pode deitar?

Até o fim do mês
dou voz a minha barba
que brilha sob a luz
embebida do óleo do tempo

Quero entender a correria
pra voltar por mesmo lugar
Mulher, me deixa
fico com a sabedoria popular
Minha preguiça promete sair
quando parares de reclamar