Solidão amiga do peito
Me dê tudo que eu tenha por direito
Me diga, me ensina
Ao dormir não sinto medo
Há um sol, existe vida
Me trate com jeito
Eu tenho saída
Eu quero calor e o mundo é frio
Minha vaidade não enxerga o paraíso
Eu preciso de alguém prá fugir, sem avisar ninguém
Não vou olhar prá trás
A saudade está morta
E já não me importo
Está longe demais
Longe demais de tudo
Eu estou longe demais
Longe demais de tudo
Eu estou longe demais
tão perto de mim
tão longe de tudo
Solidão amiga do peito
Me dê tudo que eu tenha por direito
Me diga, me ensina
Ao dormir não sinto medo
Há um sol, existe vida
Me trate com jeito
Eu tenho saída
Eu quero calor e o mundo é frio
Minha vaidade não enxerga o paraíso
Eu preciso de alguém prá fugir, sem avisar ninguém.
domingo, dezembro 24, 2006
sábado, dezembro 23, 2006
De quem soube viver

Não precisa ser homem, basta ser humano, basta ter sentimentos, basta ter coração. Precisa saber falar e calar, sobretudo saber ouvir. Tem que gostar de poesia, de madrugada, de pássaro, de sol, da lua, do canto, dos ventos e das canções da brisa. Deve ter amor, um grande amor por alguém, ou então sentir falta de não ter esse amor. Deve amar o próximo e respeitar a dor que os passantes levam consigo. Deve guardar segredo sem se sacrificar.Não é preciso que seja de primeira mão, nem é imprescindível que seja de segunda mão. Pode já ter sido enganado, pois todos os amigos são enganados. Não é preciso que seja puro, nem que seja todo impuro, mas não deve ser vulgar. Deve ter um ideal e medo de perdê-lo e, no caso de assim não ser, deve sentir o grande vácuo que isso deixa. Tem que ter ressonâncias humanas, seu principal objetivo deve ser o de amigo. Deve sentir pena das pessoas tristes e compreender o imenso vazio dos solitários. Deve gostar de crianças e lastimar as que não puderam nascer.Procura-se um amigo para gostar dos mesmos gostos, que se comova, quando chamado de amigo. Que saiba conversar de coisas simples, de orvalhos, de grandes chuvas e das recordações de infância. Precisa-se de um amigo para não se enlouquecer, para contar o que se viu de belo e triste durante o dia, dos anseios e das realizações, dos sonhos e da realidade. Deve gostar de ruas desertas, de poças de água e de caminhos molhados, de beira de estrada, de mato depois da chuva, de se deitar no capim.Precisa-se de um amigo que diga que vale a pena viver, não porque a vida é bela, mas porque já se tem um amigo. Precisa-se de um amigo para se parar de chorar. Para não se viver debruçado no passado em busca de memórias perdidas. Que nos bata nos ombros sorrindo ou chorando, mas que nos chame de amigo, para ter-se a consciência de que ainda se vive.
Vinicius de Moraes
sexta-feira, dezembro 22, 2006
Fim
Aprendemos na virtualidade dos filmes, novelas e romances,
que uma estória de amor tem início meio e fim.
Que tem final feliz, ou não.
Mas a vida é uma linha contínua, em elipse, com todos os momentos escritos no presente.
e as pessoas que conhecemos não somem da estória com o fim.
Nossas memórias estão gravadas, e fazem parte do que somos hoje e amanhã.
Somos feitos de algo mais que a razão. Somos sentimento.
Eu me permito não me sujeitar às regras, ao senso comum, ao que a lógica insiste em determinar.
Porque não existe o fim.
que uma estória de amor tem início meio e fim.
Que tem final feliz, ou não.
Mas a vida é uma linha contínua, em elipse, com todos os momentos escritos no presente.
e as pessoas que conhecemos não somem da estória com o fim.
Nossas memórias estão gravadas, e fazem parte do que somos hoje e amanhã.
Somos feitos de algo mais que a razão. Somos sentimento.
Eu me permito não me sujeitar às regras, ao senso comum, ao que a lógica insiste em determinar.
Porque não existe o fim.
Pedra da Gávea

Músicos e poetas, por favor, me dêem descanso.
Porque não aguento mais sofrer. Lembrar o que é amar só faz aumentar a saudade.
E não me venham falar de ilusão. Eu sou impulsionado pela minha vontade, justificado pela minha razão. Do meu desejo mais profundo que me impede de fazer bobagem. De saltar da pedra da Gávea esperando que uma asadelta me pesque no ar. E como asadelta não tem vara nem anzol, a queda é livre e o mergulho é de peito.
E o caminho parece circular. Quando percebo que estou bem, com os sentimentos e as energias prontas pra dar amor e transmitir que poderemos ser felizes...
É nessa hora que insisto em voltar lá naquele pico pra mais um mergulho.
Sonhei sozinho todo tempo? As promessas foram esquecidas. Verdade só existe por um momento.
Já procurei outras montanhas, outras trilhas, outras escaladas,outras paisagens.
Mas nenhuma paisagem me encanta e me tira o ar,
nenhuma me dá vontade de gritar,
e de pular com a vontade de voar,
como um dia já voei.
Música do dia
Oh, pedaço de mim
Oh, metade afastada de mim
Leva o teu olhar
Que a saudade é o pior tormento
É pior do que o esquecimento
É pior do que se entrevar
Oh, pedaço de mim
Oh, metade exilada de mim
Leva os teus sinais
Que a saudade dói como um barco
Que aos poucos descreve um arco
E evita atracar no cais
Oh, pedaço de mim
Oh, metade arrancada de mim
Leva o vulto teu
Que a saudade é o revés de um parto
A saudade é arrumar o quarto
Do filho que já morreu
Oh, pedaço de mim
Oh, metade amputada de mim
Leva o que há de ti
Que a saudade dói latejada
É assim como uma fisgada
No membro que já perdi
Oh, pedaço de mim
Oh, metade adorada de mim
Lava os olhos meus
Que a saudade é o pior castigo
E eu não quero levar comigo
A mortalha do amor
Adeus
Oh, metade afastada de mim
Leva o teu olhar
Que a saudade é o pior tormento
É pior do que o esquecimento
É pior do que se entrevar
Oh, pedaço de mim
Oh, metade exilada de mim
Leva os teus sinais
Que a saudade dói como um barco
Que aos poucos descreve um arco
E evita atracar no cais
Oh, pedaço de mim
Oh, metade arrancada de mim
Leva o vulto teu
Que a saudade é o revés de um parto
A saudade é arrumar o quarto
Do filho que já morreu
Oh, pedaço de mim
Oh, metade amputada de mim
Leva o que há de ti
Que a saudade dói latejada
É assim como uma fisgada
No membro que já perdi
Oh, pedaço de mim
Oh, metade adorada de mim
Lava os olhos meus
Que a saudade é o pior castigo
E eu não quero levar comigo
A mortalha do amor
Adeus
terça-feira, dezembro 05, 2006
Alternativo
E depois de uma sessão de curta-metragens do cinema alternativo...
Meio-fio
"Tem um fio de queijo entre eu e o misto quente
recém mordido
Tem um fio de goma entre eu e chiclete
recém mascado
Tem um fio de sangue e eu e teu corpo
recém amado
Tem um fio de carne entre teu corpo e teu filho
recém nascido
Tem um fio de saudade entre eu e você,
recém passado
Tem um fio de sangue entre a razão e eu,
recém partido
tem um fio de luz entre eu e mim
recém chegado."
Chacal
Meio-fio
"Tem um fio de queijo entre eu e o misto quente
recém mordido
Tem um fio de goma entre eu e chiclete
recém mascado
Tem um fio de sangue e eu e teu corpo
recém amado
Tem um fio de carne entre teu corpo e teu filho
recém nascido
Tem um fio de saudade entre eu e você,
recém passado
Tem um fio de sangue entre a razão e eu,
recém partido
tem um fio de luz entre eu e mim
recém chegado."
Chacal
segunda-feira, dezembro 04, 2006
Alma feminina
Acabo de assistir a uma obra cinematográfica que trata do mundo das mulheres. Seres diagnosticado como flores, cada uma de uma cor, com uma textura, com seu habitat e sua história. Mas todas são flores.
Em seu filme " Volver ", Almodovar cria uma divertida e levemente emocionante estória de uma família de mulheres, que passam pelas tragédias da vida, que sob o olhar de Almodovar, vem sempre dos homens.
Um roteiro digno às suas inspirações melodramáticas, que dá uma velocidade aos sentimentos e à superação. E seu colorido clássico, ainda muito bem distribuído e com meticuloso cuidado, todas as tragédias pessoais passam com leveza na vida de suas personagens.
Não concordo com seu radicalismo taxativo sobre a forma de retratar os homens, completamente insensíveis e movidos o tempo todo por interesses sexuais. Tudo bem que acredito que as relações envolventes do sexo sempre estão presentes, mas nem sempre é o impulsionador das ações.
Mas tudo bem. O filme ainda é muito bom de se ver. Principalmente porque a Penélope Cruz é uma maravilha de todos os ângulos que a câmera a registra. ( é ... talvez o Almodovar esteja certo).
Um roteiro muito bem amarrado, cria uma vontade gostosa de chegar a resolução da questão da família, mesmo que não seja totalmente imprevisível. Pois também, raramente encontramos algo hoje totalmente imprevisível. Nem é a imprevisibilidade que faz um bom filme. Ela é um recurso que bem utilizado cria uma surpresa marcante. Mas um bom conteúdo, uma boa razão de se filmar e uma boa fotografia ainda tem grande razão para um grande filme.
Bom, e que mistério é a alma feminina. Aprendo cada dia mais que não se deve tentar entender, compreender. Podemos apenas reagir sob o nosso olhar pessoal o que nos é apresentado claramente. Porque toda dedução lógica pode ser falha, quando se trata da alma de uma mulher.
Em seu filme " Volver ", Almodovar cria uma divertida e levemente emocionante estória de uma família de mulheres, que passam pelas tragédias da vida, que sob o olhar de Almodovar, vem sempre dos homens.
Um roteiro digno às suas inspirações melodramáticas, que dá uma velocidade aos sentimentos e à superação. E seu colorido clássico, ainda muito bem distribuído e com meticuloso cuidado, todas as tragédias pessoais passam com leveza na vida de suas personagens.
Não concordo com seu radicalismo taxativo sobre a forma de retratar os homens, completamente insensíveis e movidos o tempo todo por interesses sexuais. Tudo bem que acredito que as relações envolventes do sexo sempre estão presentes, mas nem sempre é o impulsionador das ações.
Mas tudo bem. O filme ainda é muito bom de se ver. Principalmente porque a Penélope Cruz é uma maravilha de todos os ângulos que a câmera a registra. ( é ... talvez o Almodovar esteja certo).
Um roteiro muito bem amarrado, cria uma vontade gostosa de chegar a resolução da questão da família, mesmo que não seja totalmente imprevisível. Pois também, raramente encontramos algo hoje totalmente imprevisível. Nem é a imprevisibilidade que faz um bom filme. Ela é um recurso que bem utilizado cria uma surpresa marcante. Mas um bom conteúdo, uma boa razão de se filmar e uma boa fotografia ainda tem grande razão para um grande filme.
Bom, e que mistério é a alma feminina. Aprendo cada dia mais que não se deve tentar entender, compreender. Podemos apenas reagir sob o nosso olhar pessoal o que nos é apresentado claramente. Porque toda dedução lógica pode ser falha, quando se trata da alma de uma mulher.
quinta-feira, novembro 09, 2006
Martin Scorsese

Tenho acompanhado mais de perto a obra desse grande diretor do cinema americano, com alma italiana. Venho me surpreendendo com a coesão com que Martin Scrosese vem levado sua filmografia. Assisti a seu primeiro filme longa metragem, " Who's that knocking in your door?". Em seu primeiro filme já adotou uma linguagem que mantém em todas as montagens de seus filmes. Uma espécie de montagem que em certos momentos conta um detalhe de um lugar por meio de planos detalhes de objetos em sequencia. Dá significado a pequenas ações de objtetos que representam mais do que as simples ações, dando o clima da situação.

Outra marca registrada de Martin é sua metodologia de chocar e se posicionar perante a relação sexo/igreja católica. Muitas cenas de sexo em seus filmes são acompanhadas de simbolos da igreja. A cada um cabe entender qual relação faz com esses simbolos. Aos mais ligados a religião, uma possível sensação de culpa ou de negação aos valores que inibem a carnalidade. Cena clássica desse modelo está no filme " Touro Indomável", no momento que Jake La Motta esta se preparando para uma grande luta e é seduzido por sua mulher. Mas apesar de ecitado, não transa porque precisa lutar, resolvendo seu problema a base de água gelada.
Scorsese é um mestre em criar ótimas estórias envolvendo personalidades fortes. Cria ou se apropria de personalidades que tem um alto grau de complexidade, com grande fundamentação psicológica. Jake La Motta, de "Touro Indomável" é um homem de valores, mas com pouquíssima propenção para aceitar as diferenças. Com uma força e uma violência que não consegue controlar, chegando a se autodestruir. Com uma sensibilidade dos grandes lutadores de perceber a verdade nos olhos das pessoas, de enchergar nos olhos o medo. E com o conflito interno dos grandes lutadores em não aceitar a condição de animal.
Em " Taxidriver" nem se fala. Com um senso de justiça e uma idealização da vida, uma criação de uma visão de mundo prórpia, que se diferencia dos comuns das grandes cidades.O personagem de De Niro, passa por uma potencialização e obsessão destes valores. Toda sua tragetória é registrada. Sua disciplina para chegar nesse resultado que acredita, apostando a própria vida por isso.
" O Aviador" trata de um grande personagem da aviação, empresário e cineasta que sofria de Transtorno Obsessivo-Compulsivo. Sua obssessão pela realização de seus sonhos de infância conduziram toda sua vida, levando-o a realizar enormes feitos, mas sacrificar sua vida pessoal e sua saúde mental.
Em seu último filme, " Os Invasores", Scorsese trabalha com a comparação de valores aprendidos na infância. Fala sobre a influência de uma figura paterna. E também trata de perto das consequências psico-somáticas de uma vida dupla. Isso tudo em uma trama policial muito bem amarrada.
((esse post poderá ser atualizado))
terça-feira, outubro 31, 2006
Eu me lembro...

Assisti esses dias ao filme "Eu me lembro" do diretor Edgar Navarro. Um grande filme , reconhecido pela crítica, que recebeu vários prêmios do reconhecido Festival de Brasília, incluindo melhor filme, melhor direção e melhor roteiro. E só entrou nas salas comerciais depois de dois anos. Cinema bom no Brasil ainda tem pouco espaço e difícil sobrevivência.
Esse filme é uma análise de uma vida , das memórias do próprio diretor que passa por suas marcantes experiências , mas que são lindas pela falta de pudor e simples, pois são próprias de uma pessoa comum. Não são feitos extraordinários, nem traumas de dilacerar uma alma. Fala das primeiras descobertas da sexualidade. Menos e desejos. A relação disso e de tudo com a religião. Suas experiências para descobrir sua relação com Deus. O pai, a mãe.As drogas. O sexo . O amor. A vida e porque viver. Foda!
O filme tem inspiração na forma de contar estória de Felline. Já viu que eu gostei. Clara e deliciosa as referência do diretor a "Oito e Meio", do final, passando por personagens e pelo fato de tratar as experiências pessoais como Fellini. O subconsciente e as alucinações.
O resultado final do filme é surpreendente, não só pela beleza indiscutível ,mas pela capacidade de fazê-la com poucos recursos. Apenas 1 milhão. Para uma filme que retrata passagem de tempo de três décadas, 50 , 60 e 70.
É um filme que emociona, diverte muito e ensina a lidar com questões chaves da experiência humana. E pra confirmar que ninguém entra aqui, screvo o que senti depois do filme. Pensei que queria ter minha paixão ao meu lado para dividir aquela experiência. Comecei a pensar no que eu me lembro da história desse relacionamento que teve um desfecho amargo pra mim.
Lembro de momentos maravilhosos. De uma paixão fulminante de uma beleza charmosa, sexy sem vulgaridade. De uma alegria despreocupada e do meu desejo incontrolável de conquistar. Minha única intenção daquela noite.
Depois lembro de um caminho para um lugar mágico e a muito prometido, chamado Sana. Me lembro bem de um retrato. Eu dentro de uma combi, que eu sentia muito conforto. Um cheiro de serra cada vez mais forte. O sol forte sem muita humidade deixava a sensação da pele muito boa e as cores locais radiantes. No meu colo uma menina-mulher linda. Cabelos finos entre os meus dedos. O vento competindo o cafuné comigo. Uma pinta imaginária dava o tom da brincadeira.
Na próxima postagem falo mais das minhas memórias. Segredos públicos. Estranho. Quase certo que continuarão secretos.
sábado, outubro 14, 2006
Delicadesa e muito bom gosto

Não paro de me surpreender. A linguagem e o tempo italiano são indiscutivelmente belíssimos. Uma fotografia excelente de ambiente de palntações de oliva, casas amplas, móveis clássicos e arte espalhada por todos os lados, convivendo em harmonia com os moradores. Pura poesia. E esse grande diretor de quem já dediquei uma postagem volta a sensibilizar meu olhos com tanto bom gosto. Um extremo cuidado com todos os detalhes do filme que cria um microuniverso próprio para se expressar uma visão própria da vida e de seus momentos, momentos muito especiais.
Falo, mas não desvendo a curiosidade. Falo de Beleza Roubada, de Bertolucci (1996). De uma profundidade de sentimentos como poucos conseguem chegar. Um argumento simples, que melodramas poderiam já ter usado. Uma jovem virgem que volta a antiga casa de sua mãe para descobrir o verdadeiro pai.Mas a profundidade e a sensibilidade em que esses tema é abordado é que o torna tão belo. Cada personagem possui uma personalidade muito bem construida. Nada de maniqueísmos ou idealismos. Combinado com as excelentes atuações de todos atores que trabalham neste filme. Os personagens seguem um ritmo de vida que condiz com o cenário maravilhoso e poético daquele ambiente. Uma vida entre pessoas que vivem a arte, as letras, as palavras, a linguagem, comunicação. Personagens que vivem seus sentimentos, que não se resumem a moralismos ou traumas. Personagens inteligentes que vivem as questões próprias de todos, que revelam ao público verdades do trato humano, da vida amorosa e dos prazeres sexuais.
Levantar aqui as questões que o filme toca será pretencioso e incensível de minha parte. Deixo que cada leitura seja feita por cada leitor, assim como o filme expressa o diálogo com o espectador ( sim, consigo ver o diálogo agora). Cada um, personagens ou espectador, faz seu prórpio julgamento que pode ser frustado, transformado ou confirmado.
Não consigo expressar o suspiro no interior do peito, que o enche e parte com as sensações mais agradaveis e inspiradoras. Isso é a lembrança da combinação majestosa de beleza irretocavel e inteligência sensível. Isso é o filme e a beleza que cada espectador rouba pra si. De ver , de desejar , de tomar as imagens desta beleza pra sempre.
domingo, outubro 08, 2006
Os Italianos

Essa semana assisti alguns filmes de Bernardo Bertolucci. Semana passada falei sobre filmes de Felinni. Tenho reparado nos temas abordados desses diretores italianos uma tendência e uma facilidade se tocar com clareza em aspectos psicológicos. Mas não de casos isolados, incomuns. Não buscam por personalidades psicopatas ou extremamente problemáticas, comuns em filmes americanos.
"Antes da Revolução" se faz referência literal ao desejo incestuoso. Em "La Luna" a estória gira em torno da questão do complexo de Édipo.
Em "Os Sonhadores" vivesse uma questão de imaturidade e dependência, uma representação de uma personalidade como forma de se proteger da realidade, de sentir, mergulhados nos jogos e vivências do universo cinematográfico (ótimo filme de referências do cinema).
"O mundo particular dos protagonistas é um mundo de certa forma infantil, não permitido aos adultos repressores. O sexo surge como se fosse uma brincadeira, sem maldade ou perversão, uma evolução natural dos jogos infantis, bombardeados de hormônios. E todos agem como se estivessem interpretando, mimetizando a atitude cool de seus ídolos.
Vejo com bons ótimos esses filmes. Felinne em uma entrevista contou que sua motivação para filmar "8 e 1/2" era de fazer um filme que ajudasse pessoas que se reconhecessem de alguma forma a se superar. Outro filme com referência clara da relação do desejo, à culpa do desejo imposta pela cultura monogâmica e moralista e o desejo referencial ao modelo materno.
Fazendo ligação com a lingua italiana e sua cultura de grande potencialidade de comunicação e expressão sem censura ( claro que de forma generalizada), acredito que venha daí um potencial dos diretores italianos em tratar de temas comuns da mente humana. Buscarei mais informações para tentar traçar um perfi, um traço em comum, ou uma viagem pessoal.
quinta-feira, outubro 05, 2006
Falando de Fellini

No meu último texto fiz uma comparação entre a algumas relações do filme de Lars Von Trier e Frederico Felline. E por coincidência assisti a mais um filme de Fellini no dia seguinte, durante uma aula da professora Aida, curso de Cinema da UFF.
O que dizer de um filme que fala de uma entrevista com um diretor (que é o próprio Fellini) em quanto este dirige um filme que trata de como é fazer um filme. Este é o fio condutor de "Entrevista" (Intervista)e se trata realmente dos bastidores do cinema, retratando as relações de profissionais que são, antes de tudo, pessoas.
Percebi durante a exibição que grande parte das pessoas não aguentavam sustentar a atenção ao filme do início ao fim . Depois ouvi comentários sobre a verdadeira exaustão que não permitiam dar total atenção ao filme até o final.
Não é a primeira vez que ouço de jovens da minha geração esse tipo de comentário. Acredito que esse tipo de reação pode vir do costume de recepção de um filme numa linguagem específica, que tem como principal modelo a linguagem cinematográfica americana. Ou então a televisiva. Além disso, há a necessidade de maior quantidade de acontecimentos encadiados, uma busca de uma estrutura com princípio meio e fim.
Fellini desmonta essa estrutura. Monta seus filmes sem a necessidade de se chegar a algum lugar. Sem previsão de acontecimentos. Sem conclusão moral ou destino inevitavel. Dessa forma, consegue se aproximar como poucos da representação das relações humanas. E que beleza de relações com toda a expressividade da língua italiana!
terça-feira, outubro 03, 2006

De volta à alucinação
Esse fim de semana assisti a uma obra muito especial. Mais um trabalho de um dos maiores diretores contemporâneos. O filme DANÇANDO NO ESCURO de LARS VON TRIER marca características belíssimas do amor maternal, da amizade e defesa de um objetivo de vida digno. Mas também trata de aspectos repudiantes da sociedade construida e vivida pelos homens. Apesar de estar assistindo com 6 anos de atraso, Dançando no Escuro continua atual. É um filme que reafirma minha impressão sobre o diretor que me surpreendeu em Dogville.
Com estrema delicadeza, Trier conta essa história tocando em questões como o consumismo. Fala sobre ética, valores e objetivos para se viver. E no momento necessário, escancara, sem pudor, chegando a um resultado final que não me fez parar de pensar. É um filme que aponta pontos chaves de feridas da sociedade americana e sugere com sutileza algumas soluções.
Mas quero mesmo chamar a atenção para a forma de contar a estória que só um diretor com um olhar diferenciado e poético pode fazer. As diferenças de fotografia, de maquiagem e câmera constituem uma trasnformação clara e extremamente poéticas dos momentos de realidade, retratados com a camera na mão como se pudesse estar presente um novo personagem, um espaço que convida o espectador para ser mais um naquele ambiente, maquiagem natural e som ambiente ; dos momentos de alucinação , de sonho, contados com cameras fixas, fotografias muito bem trabalhadas, maquiagens perfeitas e trilhas sonoras compondo o som. Tudo isso condizendo com os sonhos da personagem de Björk, ideais poéticos montados sobre musicais. Ressalta-se a idéia de ligação cada vez maior da personagem com o som, conforme vai perdendo sua visão.
Esse efeito alucinativo me fez lembrar processos de inconciente de um outro mestre do cinema mundial. Mestre Fedderico Fellini. Este trabalha com o inconciente de forma maestral em seu filme " 8 e 1/2", condizendo , é claro, com o pensamento sugerido de seu personagem. Fellini acreditava que um filme não deve ter um fim. Algo de semelhante no ar. Veja Dançando no Escuro e entenda do que estou falando.
segunda-feira, outubro 02, 2006

Assunto em pauta: as eleições.
Com os votos das urnas apurados já podemos ter um diagnóstico de alguns resultados. Alguns políticos honrados e de prestígio inquestionavel, como o deputado mais votado do país. Outros como promessas de uma renovação de qualidade de quem se preparou para ocupar a cadeira de deputado, como o exemplo de homem público, Clodovil.
Não é saudável ao meur vêr, fazer o que fiz no parágrafo acima. Tratar com ironia de um assunto tão sério. Pois foi com a mesma ironia que muitos eleitores foram as urnas. Confirmaram máxima que o Brasil é o páis do oba oba e da impunidade. Tratar do futuro político da nação de forma irônica é não levar a sério a própria vida. Não firmar responsabilidades sobre os próprios atos.
Mais um detalhe: devemos voltar a desconfiar dos institutos de pesquisa brasileiros. Resultados bem diversos da margem de erro podem comprovar manipulação de resultados. Vide o caso das eleições do governo da Bahia. Percebamos que os resultados, infelizmente, não são apenas um diagnóstico, mas funcionam como forma de manipulação do pensamento do eleitor.
Tenho que sair... compromissos... amanhã falo sobre minha fase de compromissos...
Ainda que com o tempo mais que corrido e sem a certeza de ser fiel e disciplinado para manter uma página, criei-a. Criei-a para dividir momentos e pensamentos. Para tentar compreender qual o sentido e sentimento que envolve tornar impressões particulares em públicas. Expor uma ideia e ter a possibilidade de resposta de qualquer pessoa. Abordar o tema que melhor me convir.
Esse espaço será assim. Espaço pra discorrer, mesmo que descriteriozamente. Espaço para apontar, ainda que intuitivamente.
Esse espaço será assim. Espaço pra discorrer, mesmo que descriteriozamente. Espaço para apontar, ainda que intuitivamente.
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