quinta-feira, março 22, 2007

Quarta-feira

Promessa é dívida
cumpro com a minha
tentar expressar a felicidade
que senti nesse dia

Coisa boa é saber
que o dia que nasce é especial
e o acaso conspira a favor
O despertador não toca
pra sobrar umas horas
essenciais para viver a vida
desse agora

Uma surpresa é um exercício de mentir por uma boa razão
ideal que todas as "inevitáveis" mentiras mereciam
O maior dos desafios é fazer o de sempre com naturalidade
E ai, os detalhes mágicos de todo dia se denunciam
O prazer do cotidiano se percebe
no repetir com consciência as pegadas
do caminho que traçamos sem pensar
Um passo em falso
um comentário exagerado
uma dica impensada
surpresa avacalhada

A responsabilidade de servir
o banquete dos amigos
é recompensada no soar
do primeiro comentário
Expressão de bom sabor
que mata toda dúvida
que justifica cada esforço
As escolhas e as medidas
foram bem pedidas

Muita sacanagem, muita maledicência
soam piadas e gargalhadas,
com todo respeito e decência
Pois o duplo sentido sempre respeita os inocentes
e os entendidos fazem reverência.

E a festa assim sem mais
com surpresa ou não
tanto faz
todo mundo reunido
cada rosto um sorriso
essa noite acaba em paz

quinta-feira, março 15, 2007

Ferve

Ela tem dono
e esta feliz assim
Tão amorosa
mais que uma delícia
Invejo com força
Queria essa moça
Tive a certeza
que no final da estória
o mundo a carroça
dava uma volta
e logo de volta
a traria pra mim

Ela é uma maravilha
me conhece como ninguém
me tem pra eternidade
e por isso faz desdém

Meu modo de ver a vida
já mudou faz tempo
pra viver e compreender
que isso iria acontecer
Entender a impossibilidade
e concluir que nosso caso
de baixa probabilidade
se perdeu no anoitecer

Aceitar os novos encontros
como algo a durar
claro e porém
se a vida vadia deixar

Por que sem ela, não sei não
acho que demorarei na busca
provando outras frutas
desse jardim de deleite
pois a vida carnal
não é nada mal.

Mas não nego a saudade
de pegar na sua coxa
e mergulhar no seu mundo
inesgotavel de prazer
Só hoje consigo entender
e com a vida fui aprender
que agora sei amar
e te satisfazer

Arde

Inspirado no filme "A Fonte da Vida", de Darren Aronofsky; e em algo mais, sempre.

Covarde
contra a individualidade
negar escutar a vontade
julgar sem buscar a verdade
fugir sob a adversidade
amar e escolher a saudade

Ferir um guerreiro
quando este lhe abre o peito
quando este lhe estende a mão
Este se desfez de seu escudo
e armado contra a paixão
lutou com o peito sangrando
e a mente ligada em vão

O passado volta a julgar seu jeito
seus crimes de guerra e seus efeitos
batalha que não tem campeão



Agora faz sentido
foi necessário guerriar
haviam outros caminhos
o destino se deixou falar
e o maior de todos os amores se partiu
ensinado o guerreiro a mudar

segunda-feira, março 05, 2007

Breve ensaio, pra mais uma noite

Uma noite,
daqueles dias,
numa Lapa,
daquelas noites,
estava eu
com uma pessoa,
que não conhecia
uma pessoa,
que passou a conhecer,
e assim me conheceu.
E de papo pra lá
e papo pra cá,
uma pergunta nasceu
-Essa pessoa sou eu?


Na verdade a questão foi: Você gosta de dormir?
A resposta automática, o senso comum diria que sim. Quem não gosta de dormir. Deitar na cama , descansar, aquele conforto... Alguns reconheço maior sinceridade nessa resposta, como meu irmão, que estimo que durma entre 9 a 11 horas por dia, se assim lhe for permitido. Talvez um parentesco primitivo com a preguiça, ou um primata mais sonolento. E assim como o meu irmão, aquele que eu não conhecia, mas conheci, dizia o quanto adorava dormir, e que perigava trocar muitos de seus programas para ficar ficar dormindo. Defrontado com essa afirmação, me deparei como minha imediata conclusão. Não troco nada pelo dormir.

Entendi, mais tarde, que não gosto de dormir. Entendo essa pratica cotidiana e fisiológica como uma obrigação, para a regulação e funcionamento do corpo, para o reabastecimento das energias. Assim dizendo, é como se levássemos nosso corpo pro posto de gasolina, para a calibragem dos pneus. Mesmo sabendo de sua importância, adio até o máximo possível, até a última gota de combustível.

Quanto mais esgotado, melhor, para que não haja o intermédio do tenebroso ato de rolar por toda área da superfície do colchão à procura de uma posição satisfatória, confortável. E quando se passa de um certo período de tempo nessa busca, chega como um raio à mente um pensamento único, uma constatação que impossibilita todo plano de descanso daquela noite. Palavra que desencadeia uma série de pensamentos sobre a consequência da noite mal dormida no dia seguinte. INSÔNIA. Se cheguei nesse ponto, o jeito é desistir de dormir e buscar outra coisa pra fazer. Escrever , ler, estas são de prachê.

E é nessa hora que muitas coisas vem a tona. Coisas que tento ignorar. E não me vale escrever a última experiência da madrugada. Não vale nem dar dicas. Outra noite não dormi de tanto pensar naquela que virou a cabeça. A memória do seu cheiro, literalmente, tirou meu sono. Mas esse é o melhor dos casos...

Pior é quando ao fechar dos olhos, forçando um sono induzido, o corpo aumenta sua percepção tatil e o corpo todo se transforma num painel de um Boeing, cheio de botões, alarmando toda e qualquer modificação no estado normal do ambiente. Então sinto a velha dor no joelho, desconforto na coluna pelo modo torto que encontrei pra dormir. Sinto calor quando coberto, muito solto quando descoberto. E um maldito mosquito invisível que pousa nos lugares de mais difícil acesso do corpo, só pra me atormentar. Nem quer mais meu sangue. Faz só de implicância. Ainda cisma de vir me contar segredos. Sem dúvida o maior desafio e a maior diversão dos mosquitos. Voar bem perto do ouvido, multiplicando o micro ruído, transformando-o em um som omnipresente na mente, ativando transmissores cerebrais de auto-destruição que resultam num movimento involuntário de largar a mão na própria orelha ( que desculpa esfarrapada que criei pra tamanha idiotice). O mais provável é que logo ele volte pra mais um divertido segredo.
Em fim, vou dormir, tô bem cansado.
Como se fosse fácil, doce ilusão.