sábado, agosto 16, 2008

Figueira

Hoje pude sentir
Mira , es la arvore que ali está
Hoje contigo sofri
Cada corte cada baque seco
Hoje chorei por ti
Compreendi a fatalidade
de passar pelo mundo e ter uma finalidade
Será feita a nossa vontade

Hoje senti por ti
a tensão de um irmão numa mesa de cirurgia
ainda que de uma operação desnecessária

Assim são as mudanças do mundo
lentas e compassadas
os momentos de decisões
Mudanças que só você,
aí do alto,
aí no seu tempo,
só você
percebe com clareza

Leio a cegueira
daqueles que ainda sentem
mas usam antólhos
e se comportam pensando
 o que o outro vai pensar
Geram um pensamento
em contra pensamento
Movimento circular que não gera
pensamento algum
Ignoram os sentidos
e continuam na pose
do personagem vaidoso
do teatro medroso
desse jogo da vida

Vou te visitar minha amiga
sua natureza é eterna
Recuperar-se-a certamente
No renovar de sua magnitude
A natureza não esta em risco
Em risco está o homem
de morrer cego e agarrado
na coxia desse enorme teatro

segunda-feira, agosto 04, 2008

Bodelaire passou por aqui.

EMBRIAGUEM-SE

É preciso estar sempre embriagado. Aí está: eis a única questão. Para não sentirem o fardo horrível do Tempo que verga e inclina para a terra, é preciso que se embriaguem sem descanso.Com quê? Com vinho, poesia ou virtude, a escolher.
Mas embriaguem-se.E se, porventura, nos degraus de um palácio, sobre a relva verde de um fosso, na solidão morna do quarto, a embriaguez diminuir ou desaparecer quando você acordar, pergunte ao vento, à vaga, à estrela, ao pássaro, ao relógio, a tudo que flui, a tudo que geme, a tudo que gira, a tudo que canta, a tudo que fala, pergunte que horas são; e o vento, a vaga, a estrela, o pássaro, o relógio responderão: "É hora de embriagar-se! Para não serem os escravos martirizados do Tempo, embriaguem-se; embriaguem-se sem descanso". Com vinho, poesia ou virtude, a escolher.