terça-feira, abril 24, 2007

Segunda em Copa

Esse horizonte não inspira
não esse perfeito e imaculado
congelado, postado
maravilhosamente falsificado

Em Copacabana, o retrato que contemplo
vivo, simples, imperfeito
vejo o que a inspiração precisava ver
Amendoeiras urbanas
verdadeira flora contemporânea
carioca tropicana atlântica

Uma faixa estreita entre prédios
uma montanha iluminada
eternas luzes noturnas
onde a Light não assusta
já que o gato mia no telhado
e a poesia cai do outro lado

O Choro que outro dia
traduzia o lamento dali de cima
hoje é o desafogar do cotidiano
de uma sofrida e amedrontada burguesia

Preocupado agora com minha própria vida
que por vezes deixo a deriva
pretendo dar um rumo
pras escolhas e pras rimas
pois andaram esquecidas

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