
Assisti esses dias ao filme "Eu me lembro" do diretor Edgar Navarro. Um grande filme , reconhecido pela crítica, que recebeu vários prêmios do reconhecido Festival de Brasília, incluindo melhor filme, melhor direção e melhor roteiro. E só entrou nas salas comerciais depois de dois anos. Cinema bom no Brasil ainda tem pouco espaço e difícil sobrevivência.
Esse filme é uma análise de uma vida , das memórias do próprio diretor que passa por suas marcantes experiências , mas que são lindas pela falta de pudor e simples, pois são próprias de uma pessoa comum. Não são feitos extraordinários, nem traumas de dilacerar uma alma. Fala das primeiras descobertas da sexualidade. Menos e desejos. A relação disso e de tudo com a religião. Suas experiências para descobrir sua relação com Deus. O pai, a mãe.As drogas. O sexo . O amor. A vida e porque viver. Foda!
O filme tem inspiração na forma de contar estória de Felline. Já viu que eu gostei. Clara e deliciosa as referência do diretor a "Oito e Meio", do final, passando por personagens e pelo fato de tratar as experiências pessoais como Fellini. O subconsciente e as alucinações.
O resultado final do filme é surpreendente, não só pela beleza indiscutível ,mas pela capacidade de fazê-la com poucos recursos. Apenas 1 milhão. Para uma filme que retrata passagem de tempo de três décadas, 50 , 60 e 70.
É um filme que emociona, diverte muito e ensina a lidar com questões chaves da experiência humana. E pra confirmar que ninguém entra aqui, screvo o que senti depois do filme. Pensei que queria ter minha paixão ao meu lado para dividir aquela experiência. Comecei a pensar no que eu me lembro da história desse relacionamento que teve um desfecho amargo pra mim.
Lembro de momentos maravilhosos. De uma paixão fulminante de uma beleza charmosa, sexy sem vulgaridade. De uma alegria despreocupada e do meu desejo incontrolável de conquistar. Minha única intenção daquela noite.
Depois lembro de um caminho para um lugar mágico e a muito prometido, chamado Sana. Me lembro bem de um retrato. Eu dentro de uma combi, que eu sentia muito conforto. Um cheiro de serra cada vez mais forte. O sol forte sem muita humidade deixava a sensação da pele muito boa e as cores locais radiantes. No meu colo uma menina-mulher linda. Cabelos finos entre os meus dedos. O vento competindo o cafuné comigo. Uma pinta imaginária dava o tom da brincadeira.
Na próxima postagem falo mais das minhas memórias. Segredos públicos. Estranho. Quase certo que continuarão secretos.
2 comentários:
E você que acha que ninguém entra aqui. Eu entro. E para confirmar que entro: escrevo. E fico muito, muito feliz e completamente emocionada com o que acabo de ler.
Primeiro emocionada porque pela primeira vez você se permite usar adjetivos, expressões e demonstrar seus desejos sem medo.
Uma critica: o filme não ensina a lidar com as questões. Nenhum filme ensina nada. São obras de arte. Nos fazem refletir. E todo o referencial de aprendizagem, ensinamento se perde diante de uma obra de arte. Diante delas temos só a nós e nossos sentimentos.
Saudades de você. Muitas. Hoje vi Little Miss Sunshine. Filme muito, muito fascinante. Como as cores falam nesse filme. Ainda mais eu que amo amarelo e kombis.
O cheiro da serra ainda me toca. A pinta até hoje fico intrigada... Não posso vê-la. Acredito e confio em você.
Sinto mais uma vez a vontade louca de falar eu te amo. E amo muito. Duro isso.
Espero por suas confissões. Mas não podia fingir que eu não tinha lido essas.
Muito orgulho de ver você escrevendo de maneira tão despretensiosa, cheio de vida e coragem.
Beijos para você meu homem-criança sorriso de menino segurando seu ursinho...
E antes de entrar na sessão lembrava de ti. ao sair dela já não sabia mais nem quem eu era. com a pretensão de que me é típica de achar que um dia eu soube... Aconselho muito você a ver esse filme. Devolve o sorriso de pureza a qualquer pessoa de bom coração.
um grande e apertado abraço p ti.
.
Postar um comentário