terça-feira, outubro 03, 2006


De volta à alucinação

Esse fim de semana assisti a uma obra muito especial. Mais um trabalho de um dos maiores diretores contemporâneos. O filme DANÇANDO NO ESCURO de LARS VON TRIER marca características belíssimas do amor maternal, da amizade e defesa de um objetivo de vida digno. Mas também trata de aspectos repudiantes da sociedade construida e vivida pelos homens. Apesar de estar assistindo com 6 anos de atraso, Dançando no Escuro continua atual. É um filme que reafirma minha impressão sobre o diretor que me surpreendeu em Dogville.

Com estrema delicadeza, Trier conta essa história tocando em questões como o consumismo. Fala sobre ética, valores e objetivos para se viver. E no momento necessário, escancara, sem pudor, chegando a um resultado final que não me fez parar de pensar. É um filme que aponta pontos chaves de feridas da sociedade americana e sugere com sutileza algumas soluções.

Mas quero mesmo chamar a atenção para a forma de contar a estória que só um diretor com um olhar diferenciado e poético pode fazer. As diferenças de fotografia, de maquiagem e câmera constituem uma trasnformação clara e extremamente poéticas dos momentos de realidade, retratados com a camera na mão como se pudesse estar presente um novo personagem, um espaço que convida o espectador para ser mais um naquele ambiente, maquiagem natural e som ambiente ; dos momentos de alucinação , de sonho, contados com cameras fixas, fotografias muito bem trabalhadas, maquiagens perfeitas e trilhas sonoras compondo o som. Tudo isso condizendo com os sonhos da personagem de Björk, ideais poéticos montados sobre musicais. Ressalta-se a idéia de ligação cada vez maior da personagem com o som, conforme vai perdendo sua visão.

Esse efeito alucinativo me fez lembrar processos de inconciente de um outro mestre do cinema mundial. Mestre Fedderico Fellini. Este trabalha com o inconciente de forma maestral em seu filme " 8 e 1/2", condizendo , é claro, com o pensamento sugerido de seu personagem. Fellini acreditava que um filme não deve ter um fim. Algo de semelhante no ar. Veja Dançando no Escuro e entenda do que estou falando.

Um comentário:

Anônimo disse...

Gostei do blog. Mandou muito bem.

Nossa, ótima resenha sobre Dançando no escuro. Parece que eu estava revendo o filme.
Tem 4 anos que o assiti e foi a partir desse momento que Von Trier se tornou um dos cineastas mais competentes ao meu ver.