Uma noite,
daqueles dias,
numa Lapa,
daquelas noites,
estava eu
com uma pessoa,
que não conhecia
uma pessoa,
que passou a conhecer,
e assim me conheceu.
E de papo pra lá
e papo pra cá,
uma pergunta nasceu
-Essa pessoa sou eu?
Na verdade a questão foi: Você gosta de dormir?
A resposta automática, o senso comum diria que sim. Quem não gosta de dormir. Deitar na cama , descansar, aquele conforto... Alguns reconheço maior sinceridade nessa resposta, como meu irmão, que estimo que durma entre 9 a 11 horas por dia, se assim lhe for permitido. Talvez um parentesco primitivo com a preguiça, ou um primata mais sonolento. E assim como o meu irmão, aquele que eu não conhecia, mas conheci, dizia o quanto adorava dormir, e que perigava trocar muitos de seus programas para ficar ficar dormindo. Defrontado com essa afirmação, me deparei como minha imediata conclusão. Não troco nada pelo dormir.
Entendi, mais tarde, que não gosto de dormir. Entendo essa pratica cotidiana e fisiológica como uma obrigação, para a regulação e funcionamento do corpo, para o reabastecimento das energias. Assim dizendo, é como se levássemos nosso corpo pro posto de gasolina, para a calibragem dos pneus. Mesmo sabendo de sua importância, adio até o máximo possível, até a última gota de combustível.
Quanto mais esgotado, melhor, para que não haja o intermédio do tenebroso ato de rolar por toda área da superfície do colchão à procura de uma posição satisfatória, confortável. E quando se passa de um certo período de tempo nessa busca, chega como um raio à mente um pensamento único, uma constatação que impossibilita todo plano de descanso daquela noite. Palavra que desencadeia uma série de pensamentos sobre a consequência da noite mal dormida no dia seguinte. INSÔNIA. Se cheguei nesse ponto, o jeito é desistir de dormir e buscar outra coisa pra fazer. Escrever , ler, estas são de prachê.
E é nessa hora que muitas coisas vem a tona. Coisas que tento ignorar. E não me vale escrever a última experiência da madrugada. Não vale nem dar dicas. Outra noite não dormi de tanto pensar naquela que virou a cabeça. A memória do seu cheiro, literalmente, tirou meu sono. Mas esse é o melhor dos casos...
Pior é quando ao fechar dos olhos, forçando um sono induzido, o corpo aumenta sua percepção tatil e o corpo todo se transforma num painel de um Boeing, cheio de botões, alarmando toda e qualquer modificação no estado normal do ambiente. Então sinto a velha dor no joelho, desconforto na coluna pelo modo torto que encontrei pra dormir. Sinto calor quando coberto, muito solto quando descoberto. E um maldito mosquito invisível que pousa nos lugares de mais difícil acesso do corpo, só pra me atormentar. Nem quer mais meu sangue. Faz só de implicância. Ainda cisma de vir me contar segredos. Sem dúvida o maior desafio e a maior diversão dos mosquitos. Voar bem perto do ouvido, multiplicando o micro ruído, transformando-o em um som omnipresente na mente, ativando transmissores cerebrais de auto-destruição que resultam num movimento involuntário de largar a mão na própria orelha ( que desculpa esfarrapada que criei pra tamanha idiotice). O mais provável é que logo ele volte pra mais um divertido segredo.
Em fim, vou dormir, tô bem cansado.
Como se fosse fácil, doce ilusão.
2 comentários:
hmmm... me gusta dormir.
e muito! haieuhauieaheiu principalmente debaixo das cobertas... etc.
por isso odeio mosquito... me atrapalham o sono todo. me acordam com os segredinhos fúteis e desagradáveis.
adorei esse poema haieuhaeui engraçado, embora a temática n o seja.
beijo.
tb não troco nada por dormir...
as vezes acho dormir uam obrigacao desnecessaria.. as vezes gosto...
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